HCM retoma atendimento de pacientes oncológicos em espaço provisório – O País

Os pacientes com cancro que dependem dos serviços da Oncologia do Hospital Central de Maputo já têm um espaço provisório para continuar com os tratamentos, na sequência do incêndio que atingiu aquele sector. A unidade sanitária transferiu os serviços para o edifício da Dermatologia, mas reconhece que o atendimento vai decorrer com algumas limitações.

Apesar dos danos provocados pelo fogo e pela água, o hospital assegura que cerca de 95% dos processos clínicos dos pacientes não foram afectados, um dado considerado importante para garantir a continuidade dos tratamentos.

Segundo o director-clínico do HCM, Dércio Fernandes, só nesta segunda-feira, foram atendidos 60 pacientes em consultas, 12 casos de urgência e 20 pacientes para sessões de quimioterapia.

Entretanto, nem todos os tratamentos puderam ser realizados. Os pacientes cuja quimioterapia ambulatória estava agendada para esta segunda-feira foram afectados pela destruição de processos clínicos que já tinham sido retirados do arquivo e preparados para o atendimento.

“Estes pacientes que, em princípio, deveriam fazer a quimioterapia ambulatória, não estamos a atendê-los por hoje. Estamos a abrir novos processos clínicos, porque, infelizmente, os processos foram atingidos pelo fogo. Já estavam preparados, haviam sido retirados do arquivo para o edifício-mãe, para os doentes poderem fazer quimioterapia nesta segunda-feira”, explicou Dércio Fernandes.

O director-clínico apresentou o ponto da situação dos pacientes retirados durante o incêndio e assegurou que o hospital está a trabalhar para manter a assistência, apesar das dificuldades impostas pela transferência temporária dos serviços.

Para já, a direcção do HCM limita a comunicação pública aos aspectos clínicos, enquanto decorrem investigações para apurar as causas do incêndio e a dimensão dos danos. Ainda assim, Fernandes aproveitou a ocasião para alertar sobre a circulação de informações falsas associadas à angariação de donativos em nome do hospital.

O responsável afirmou que a instituição decidiu não receber apoios através de plataformas de dinheiro móvel, apelando aos cidadãos interessados em contribuir para que utilizem apenas os canais oficiais, devidamente comunicados e identificados pela direcção.

“Decidimos que não vamos aceitar nenhum apoio via plataformas móveis. As pessoas que queiram prestar apoio devem usar os canais oficiais comunicados com assinatura da Direcção do Hospital. As publicações com carteiras móveis não são do conhecimento do hospital”, esclareceu.

Em relação ao serviço de Radioterapia, Dércio Fernandes afirmou que a direcção voltou, nesta segunda-feira, ao sector e constatou que os equipamentos de emissão de radiações se encontram devidamente conservados, não representando, segundo a avaliação feita, qualquer risco de emissão de radiações.

Enquanto decorrem as investigações e se trabalha na recuperação dos serviços afectados, o desafio imediato do Hospital Central de Maputo é assegurar que os pacientes oncológicos não fiquem privados de cuidados essenciais, num contexto em que a continuidade dos tratamentos é determinante.

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