Noruega desembolsa 4,4 milhões de dólares para desenvolver Gorongosa

O governo da Noruega vai investir cerca de 4,4 milhões de dólares, nos próximos três anos, para fortalecer o sector de educação e os meios de subsistência, conservação e restauração do Parque Nacional de Gorongosa, província de Sofala.

Um comunicado de imprensa da Embaixada da Noruega citado pela AIM indica que o acordo para o investimento foi rubricado recentemente entre o presidente da Fundação Carr, Greg Carr, e o Embaixador da Noruega acreditado em Moçambique, Egil Thorsas.

O acordo vai alavancar a educação, que continua o coração do Projecto de Restauração de Gorongosa (GRP, sigla em inglês) que engloba igualmente a educação, que tenciona ver as raparigas que antes corriam o risco de abandonar a escola cedo, a encontrar espaços seguros em um dos 52 Clubes de Raparigas, para poderem estudar, ganhar confiança e aprender com mentores.

“Este acordo é uma prova do nosso compromisso comum com um futuro melhor para Gorongosa e o seu povo, e, através de contribuições como esta, podemos deixar o passado sombrio para trás e construir, pedra por pedra, um novo dia para cada moçambicano”, diz Carr citado no comunicado.

O apoio da Noruega não é apenas simbólico, mas também estratégico porque reflecte as prioridades centrais da cooperação para o desenvolvimento da Noruega, como o fortalecimento da educação e da igualdade de género, o enfrentamento dos desafios climáticos e ambientais, e a criação de meios de subsistência sustentáveis que reduzam a pobreza.

As prioridades em Gorongosa tornam-se visíveis na rapariga que continua na escola, no agricultor que melhora a sua colheita e consegue apoiar melhor a família, bem como no jovem que encontra trabalho digno ligado à conservação.

Ainda de acordo com a mesma nota, as raparigas já alcançaram oportunidades antes inimagináveis, e aquelas que regressam a Gorongosa tornam-se modelos poderosos para a próxima geração.

Na agricultura, quase 1.000 cafeicultores no Monte Gorongosa estão a aprender a cultivar os seus pés de café sob árvores nativas de sombra, um método que proporciona colheitas mais fortes, ao mesmo tempo que restaura o solo, abriga aves e preserva a floresta da montanha.

Na zona tampão, mais de 4.500 produtores de caju estão a revitalizar pomares antigos, com apoio previsto para chegar a 7.500 nos próximos anos, e, árvores outrora negligenciadas estão a tornar-se fontes fiáveis de rendimento.

Além de melhorar os rendimentos familiares, o GRP fortalece o orgulho no cuidado da terra e reduz as pressões que frequentemente conduzem ao uso insustentável das florestas frágeis.

A apicultura é um exemplo de fonte adicional de renda, e ajuda a tirar agricultores da pobreza.

Novos meios de subsistência também estão a emergir da própria conservação, particularmente jovens carpinteiros que se unem em cooperativas, incluindo projectos-piloto de carvão sustentável que oferecem alternativas às práticas destrutivas, e formação em ecoturismo a abrir carreiras que antes estavam fora do alcance da juventude local.

“Com o apoio da Noruega, essas oportunidades irão crescer, oferecendo a mais jovens as competências e ferramentas para construir futuros ligados à conservação, e no conjunto, esses esforços mostram que proteger a biodiversidade também pode oferecer trabalho digno e fortalecer os ecossistemas dos quais as comunidades dependem e prosperam”, refere a nota citada.

A recuperação de Gorongosa, devastada pela guerra dos 16 anos, que culminou com a assinatura do Acordo Geral de Paz, a 4 de Outubro de 1992, há muito é descrita como uma “história de recuperação”.

O parque é hoje mais conhecido pela determinação silenciosa de seu povo e pelo regresso constante da vida selvagem.

A recuperação baseia-se numa ideia simples: a conservação não pode ter sucesso sem as comunidades, e não podem prosperar sem a sua terra.

O apoio da Noruega reflete uma escolha clara, que se vinca em apoiar um modelo em que pessoas e natureza avançam juntas, construindo pedra por pedra um futuro melhor para todos os moçambicanos.

É um compromisso não apenas com a conservação, mas também com a crença de que o progresso duradouro é mais forte quando enraizado na comunidade.

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