Pelo menos 34 estabelecimentos hoteleiros fecharam as portas na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, na sequência dos ataques terroristas e de desastres naturais que afectam a região desde 2017.
O anúncio foi feito pelo governador provincial, Valige Tauabo, que reconheceu o forte impacto negativo que esta situação tem tido na capacidade de acolhimento turístico da província.
“Foram encerrados 34 estabelecimentos devido à situação de insegurança e à ocorrência de ciclones, o que reduziu a capacidade de alojamento para 125 unidades, com 1971 quartos e 2548 camas”, declarou o governador, citado pela RFI.
O balanço foi apresentado no âmbito das celebrações do Dia Mundial do Turismo, ocasião em que o Secretário de Estado do Turismo, Fredson Bacar, admitiu que a contribuição do sector para o Produto Interno Bruto (PIB) do País ainda é reduzida, embora não tenha avançado dados concretos.
“As nossas cifras estão aquém daquilo que é a capacidade e o potencial do país. Tendo consciência disso, estamos a trabalhar no sentido de reverter este cenário. Estamos no caminho certo”, garantiu.
As cerimónias centrais do Dia Mundial do Turismo decorreram no sábado, na Praia da Macaneta, em Marracuene, sob o lema: Turismo e Sustentabilidade Ambiental.
Desde Outubro de 2017, a província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, tem sido palco de uma insurgência armada protagonizada por grupos extremistas, com ligações ao autoproclamado Estado Islâmico. Estes ataques têm devastado comunidades, provocando milhares de mortes e forçado o deslocamento de centenas de milhares de pessoas. Este cenário de violência tem tido graves consequências humanitárias, sociais e económicas, com destaque para o sector do turismo e hotelaria, um dos pilares do desenvolvimento local.
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