Moçambique alerta para impactos da desertificação e seca prolongada

Moçambique está entre os países da África Austral mais expostos aos efeitos da desertificação e da seca prolongada, facto que se traduz em consequências graves para milhões de pessoas e para a segurança alimentar.

O alerta foi lançado pelo Secretário de Estado da Terra e Ambiente, Gustavo Dgedge, na abertura, esta segunda-feira (29), do III Workshop Regional do Programa de Impacto em Paisagens Sustentáveis de Terras Áridas (DSL-IP), em Maputo.

Segundo o governante citado pela Revista Terra, as províncias do Sul do País, com destaques para Gaza e Inhambane são a face mais visível do problema, resultante de reduções significativas na precipitação.

“Nas últimas décadas, estas regiões conheceram uma diminuição de 20% a 30% na chuva anual, acompanhada de aumento de temperaturas e prolongados períodos de seca que afetam cerca de 2,3 milhões de pessoas só nesta zona do País”, destacou.

Segundo Dgedge, o cenário insere-se numa realidade que afecta toda o continente, onde “mais de 75% das terras já são classificadas como áridas ou semiáridas”,

Apesar da gravidade, Dgedge apontou sinais de esperança, destacando iniciativas nacionais e regionais de restauração de paisagens e fortalecimento da resiliência comunitária.

“Em Moçambique, o programa apoia intervenções no corredor de Maputo, promovendo agroecologia, reflorestamento e uso eficiente da água, beneficiando agricultores familiares, mulheres rurais, jovens e comunidades vulneráveis”, afirmou.

Ainda assim, o governante defendeu a necessidade de uma abordagem integrada e solidária, por forma a que os resultados tenham sustentabilidade.

“A conservação não pode ter sucesso com ações isoladas. Deve ser aliada ao desenvolvimento de esforços regionais conjuntos, à agricultura sustentável e a benefícios tangíveis para as comunidades”, frisou.

Refira-se que o III Workshop Regional do Programa de Impacto em Paisagens Sustentáveis de Terras Áridas reúne representantes da SADC, FAO e vários governos da região, com o objectivo de reforçar a cooperação e acelerar soluções integradas para combater a desertificação.

 

(Foto DR)

Deixe um comentário