Moçambique, Angola,e Egipto defendem ser necessário reforçar a cooperação e o investimento estratégico ao nível do turismo em África, num painel no Fórum Global de Turismo.
Durante uma sessão, intitulada: “Africa Ascending: Tourism for Infrastructure, Youth Employment, and Investment Attraction”, os líderes africanos do turismo, destacaram o impacto económico do turismo, o seu papel na criação de emprego e a importância do desenvolvimento da infra-estrutura turística em África para atrair investimento sustentável.
Segundo uma publicação da Euronews, os líderes africanos convergiram na necessidade de uma regulamentação mais aprofundada que permita chegar a um acordo de “open skies” (céus abertos, em português) no continente africano, bem como na facilitação da livre circulação de pessoas, sem que seja exigida uma autorização de entrada ou vistos entre os países africanos, à semelhança do que acontece hoje na Europa no Espaço Schengen.
Falando num painel moderado por Abulfas Garayev, ex-ministro da Cultura e do Turismo do Azerbaijão, o secretário de Estado do Turismo de Moçambique, Fredson Bacar, reforçou a importância da implantação da sustentabilidade ambiental no sector do turismo, como forma de garantir o seu rápido desenvolvimento.
Recordando que o Moçambique foi reconhecido também esta semana como Melhor Destino Turístico Sustentável do mundo na gala dos World Tourism Awards 2025, em Bruxelas, o governante apontou que “o uso dos recursos naturais de forma sustentável, mais do que garantir turismo, cria postos de emprego e investimentos no País, ajudando as comunidades locais”.
Sobre a criação de postos de trabalho, sublinhou a importância de estabelecer “parcerias com as empresas do sector privado para empregar os jovens locais”, que representam a maior fatia da população moçambicana.
Além disso, abordou que há desafios inerentes a Moçambique devido à dimensão do território. “É impossível criar infra-estruturas e desenvolver o país todo ao mesmo tempo, temos 2700 quilómetros de costa e 25% do território são zonas de conservação da natureza”, explicou o secretário de Estado do Turismo.
Para Fredson Bacar, isto cria também entraves ao investimento para a criação de áreas turísticas, uma vez que há regulamentos relativos aos requisitos para os investidores no que toca à sustentabilidade ambiental que têm que ser respeitados.
Em 2024, África recebeu 74 milhões de turistas, representando um aumento de 7% em comparação com os níveis pré-pandemia e um aumento de 12% face a 2023. Para este ano, as projecções indicam que o número de turistas chegará a 82 milhões, reflectindo a recuperação pós-pandemia mais forte do mundo.
(Foto DR)