O antigo presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, foi homenageado a título póstumo esta terça-feira (28) na capital do Quénia, Nairóbi, pela União Democrática Africana (DUA), organização continental de partidos políticos de centro-direita. A distinção reconhece o seu papel na luta pela democracia em Moçambique e em África.
A cerimónia de entrega do prémio foi presidida pelo ex-chefe de Estado do Gana, Nana Addo Dankwa Afuko-Addo, patrono do título. Ao destacar a figura de Dhlakama, o antigo presidente ganês sublinhou que o líder moçambicano marcou de forma irreversível o debate sobre liberdade, pluralismo e direitos políticos no continente.
Com o lema: “Navegando pela posição estratégica da África em um mundo multipolar rumo a uma sociedade mutuamente equitativa”, o evento reuniu líderes políticos, académicos e representantes da sociedade civil africana. Para os organizadores, reconhecer Dhlakama é também reafirmar o valor da oposição como parte integrante da construção democrática em África.
Afonso Dhlakama liderou a Renamo durante mais de três décadas, tornando-se uma das figuras centrais do processo de abertura democrática em Moçambique após a assinatura do Acordo Geral de Paz de 1992. Ao longo da sua carreira política, foi igualmente presidente da DUA e vice-presidente da União Internacional para a Democracia (UDI), plataforma global de partidos de centro-direita.
Segundo uma publicação do Jornal Rigor, no mesmo encontro, também foi homenageado a título póstumo Jonas Savimbi, líder histórico da UNITA em Angola, igualmente lembrado como um dos protagonistas da transição política em África. Os dois dirigentes são apontados pela DUA como símbolos da persistência da oposição no esforço de democratização do continente.
Em Moçambique, a homenagem foi recebida com particular atenção pela Renamo, que reivindica o legado de Dhlakama como património político nacional. O partido sublinha que o seu antigo líder deve ser lembrado não apenas como chefe de uma força política, mas como um homem que abriu caminho ao pluralismo democrático no país.
Fundada em Dacar, Senegal, em 1997, a União Democrática Africana reúne partidos de várias regiões do continente, com o propósito de proteger a democracia, a liberdade individual e o Estado de direito. Ao homenagear Dhlakama, a organização reafirma a sua missão de dar visibilidade a líderes que, em vida, defenderam os mesmos princípios.
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