UniZambeze manda “passear” Albano Carige na cerimónia de graduação

A nova liderança da Universidade Zambeze (UniZambeze), composta pelo Reitor Luís Miguel Estêvão Cristóvão e o Vice-Reitor Alexandre Hilário Monteiro Baia, enfrenta uma onda de críticas públicas após ter recusado espaço para a intervenção do presidente do Conselho Municipal da Beira, Albano Carige, durante a XI cerimónia de graduação, realizada na última sexta-feira (07).

A decisão “inédita”, segundo uma publicação do jornal Ngani, provocou indignação generalizada entre estudantes, munícipes e internautas, incluindo na página oficial da instituição no Facebook, onde vários cidadãos exigiram explicações da reitoria. A recusa marca um ponto de tensão no relacionamento entre a academia e o poder autárquico local, quebrando uma prática habitual de intervenção do edil beirense em eventos universitários.

De acordo com o mesmo jornal, comentários publicados na plataforma digital da universidade classificam o episódio como “cerimónia partidarizada”, “falta de ética” e um acto que contradiz o espírito de diálogo e inclusão. Muitos internautas recordam que, em graduações anteriores, Carige sempre teve espaço para saudar os finalistas, e consideram que a nova reitoria rompeu com uma tradição que valorizava a aproximação entre a instituição e a comunidade.

Alguns comentários lamentam a suposta motivação política e questionam a razão para excluir o edil. “Onde já se viu o Presidente do Município não ter palavra numa graduação?”, lê-se num dos depoimentos.

Por sua vez, o Conselho Municipal da Beira reagiu em nota pública, classificando o gesto da UniZambeze como “inexplicável e sem precedentes”. O município sublinhou que Albano Carige, em intervenções anteriores noutras instituições de ensino, tem distinguido os melhores estudantes com ofertas de emprego, estágios remunerados e apoios financeiros, práticas que não puderam ser repetidas nesta cerimónia devido à ausência forçada do seu discurso.

A edilidade considera que “a decisão manchou a imagem da universidade e deixou os finalistas sem oportunidades tradicionais de apoio”. Alguns munícipes apelaram ao autarca para continuar a apoiar os estudantes, independentemente do episódio, salientando que “os estudantes não têm culpa”.

Entretanto, outras fontes sugerem que a recusa de intervenção ao edil poderá estar associada à presença do Governador de Sofala, Lourenço Bulha, que terá oferecido cheques aos três melhores estudantes durante a cerimónia. Ainda assim, a iniciativa gerou percepções de disputa de protagonismo, numa cidade onde Albano Carige é reconhecido por premiar finalistas e incentivar jovens talentos.

Para muitos beirenses, o gesto da universidade representou não só um corte protocolar sem precedentes, mas também uma tentativa de impedir que Carige desempenhasse um dos papéis mais simbólicos da sua relação com a juventude estudantil.

 

(Foto DR)

Deixe um comentário