A promessa de uma década decisiva para o clima está longe de ser cumprida, mostra o novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP).
O Emissions Gap Report 2025 revela que “esta ambição e acção não se materializaram” e traça um diagnóstico que mostra que as emissões globais de gases com efeito de estufa atingiram 57,7 gigatoneladas de CO2 equivalente em 2024, um aumento de 2,3%.
Os novos compromissos climáticos para 2035, previstos como o momento de viragem após o Acordo de Paris, ficaram aquém, já que apenas um terço dos países submeteu metas actualizadas dentro do prazo. E, como nota o relatório citado pelo jornal Negócios, “as novas promessas pouco alteraram o curso”.
Mesmo num cenário de implementação total dos compromissos, o futuro continua alarmante, com o aquecimento previsto a situar-se entre 2,3 e 2,5 graus. Com as políticas actualmente em vigor, “o mundo dirige-se para até 2,8 graus de aquecimento”, além de que a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris anulará parte do progresso, revertendo 0,1 graus da redução inicialmente projectada.
O peso das maiores economias mantém-se, por isso, decisivo. O G20 é responsável por 77% das emissões globais e, em 2024, só a União Europeia (UE) – que também não foi capaz de apresentar, dentro do prazo, as metas previstas para a redução de emissões – reduziu as emissões entre os maiores poluidores.
Contudo, os números mostram que todas as grandes categorias de gases com efeito de estufa aumentaram, com destaque para o uso e alteração do uso do solo e florestas, que cresceu 21% e foi responsável por 53% do aumento total. As emissões de CO2 fóssil subiram 1,1%.
Para evitar uma falha prolongada da meta de 1,5 graus, o estudo estima a necessidade de cortar 26% das emissões até 2030 e 46% até 2035, face aos valores de 2019. “Cada fração de grau evitado é crucial”, alerta o documento, sublinhando que adiar acção significa depender de soluções de remoção de carbono “incertas, arriscadas e dispendiosas”.
Apesar do ritmo insuficiente, há avanços técnicos e económicos, como a energia solar e eólica, e a mobilidade eléctrica que se expandiram mais depressa do que previsto, enquanto os custos continuam em queda. Mas isso não basta. “Os países tiveram três tentativas para acertar nas metas do Acordo de Paris e, em todas, falharam o alvo”, lê-se no relatório.
O documento deixa um aviso aos governos, sobretudo às maiores economias: “A acção climática não é filantropia, é interesse nacional”. Cortes imediatos e profundos são, enfatiza o UNEP, a única forma de evitar um futuro dominado por fenómenos extremos, custos económicos e impactos irreversíveis.
(Foto DR)