Insurgentes matam homem na presença de seus filhos e esposa em Memba

As crianças estão entre os grupos mais afectados pela recente vaga de deslocados que chegaram ao posto administrativo de Alua, no distrito de Eráti, após ataques terroristas no distrito de Memba, província de Nampula. A maior parte das famílias que fugiram de Chipene, Mazua e Majuco é composta por mulheres, bebés e menores de idade, que se encontram agora expostos a condições extremamente precárias.

Entre os deslocados está uma mãe e seus cinco filhos, que presenciou o assassinato do seu esposo. Segundo uma publicação do Jornal Rigor, a fonte descreveu o cenário entre lágrimas e o terror vivido. “Saímos a correr de Majuco. Cortaram o meu marido e queimaram a nossa casa. Os meus filhos viram tudo. Caminhámos até Eráti a pé. Eles têm medo até de dormir.”

Segundo a mesma publicação, este não foi um caso isolado, pois muitos testemunharam mortes violentas, casas incendiadas e familiares a serem decapitados. “O cenário é alarmante, pois muitas crianças descalças e visivelmente debilitadas, apresentam sinais de desnutrição e outras traumatizadas pelo que viram e viveram.”

Com a fuga feita às pressas, a maioria das crianças não trouxe roupas, comida nem objectos pessoais. Dormem ao relento, debaixo de cajueiros, expostas ao frio da noite e ao calor intenso do dia. A ausência de abrigo adequado agrava o risco de doenças respiratórias, febres, desidratação e infecções.

“O meu bebé não dorme desde que saímos. Ele acorda a chorar, a tremer. Não temos nada para lhe dar. Só queremos que os nossos filhos comam e fiquem seguros”, conta outra mãe citada pela publicação.

De acordo com a mesma publicação, muitas mães percorrem o acampamento improvisado com bebés ao colo, procurando água e algo para alimentar os filhos. O choro das crianças, sobretudo durante a noite, ecoa entre as árvores, revelando o nível de sofrimento e instabilidade emocional provocado pelos ataques.

As autoridades reconhecem que a situação das crianças é crítica e requer uma resposta humanitária imediata. O governador da província de Nampula, Eduardo Abdula, deslocou-se a Alua e garantiu que estão a caminho tendas, alimentos e assistência prioritária para menores.

“Hoje vem pouco, mas nos próximos dias virá em quantidade. Estas crianças precisam de conforto. Não vão regressar a Memba até que a situação esteja controlada”, afirmou.

 

(Foto DR)

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