Em território hostil, Filipe Nyusi dá sina de vida, e quer esticar a estadia

O Chefe da Missão de Observação da União Africana às eleições na Guiné-Bissau, Filipe Nyusi, revelou, ontem, a intenção de manter-se no país até estar seguro do desfecho do processo eleitoral.

“Algumas missões já saíram, mas nós preferimos ficar aqui até uma fase em que teremos a certeza sobre como as coisas correram para poder representar condignamente, de forma plena, a União Africana” disse em uma entrevista que partilhou no Facebook. “Poderíamos ter saído antes como tem acontecido com outras missões, mas ficamos aqui e ainda estamos aqui. Há ruído em torno da nossa estadia aqui, por isso aceitamos falar com os moçambicanos. Não viemos aqui cumprir uma missão de Moçambique. Mas decidimos dar cara pela preocupação que se tem com os compatriotas”. 

A Guiné-Bissau realizou eleições presidenciais no domingo (23). Os resultados preliminares deveriam ser divulgados na quinta-feira (27). Na quarta-feira (26), militares anunciaram Golpe de Estado. O Presidente Umaro Sissoco Embaló foi deposto. Entre quarta-feira e quinta-feira, Embaló fugiu clandestinamente para o Senegal. O processo eleitoral foi suspenso. Um General foi empossado presidente da Guiné-Bissau para formar Governo de transicção.

Segundo o antigo Chefe de Estado moçambicano, uma tentativa da Missão de se inteirar das ocorrências após o anúncio da tomada de poder resultou em fracasso. “Fomos impedidos porque a cidade já estava toda tomada”.

Contudo, Nyusi admitiu que o território guineense é problemático, pelo que, o relatório da observação discorreu sobre os antecedentes eleitorais do país. O documento apelou para a necessidade de se permitir a conclusão do processo eleitoral na Guiné-Bissau.

“Isso fizemos. A União Africana vai emitir uma declaração sobre quais são os passos consequentes. Mas nós já remetemos o expediente”.

“Muito em breve estaremos em Moçambique” assegurou.

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