O Papa Leão XIV fez um alerta contundente: “a violência não traz vitória a ninguém, nem aos países, nem à humanidade”.
Diante da possibilidade de uma intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, o Pontífice pediu à administração Trump que abandone a lógica da força e coloque o diálogo e a diplomacia no centro da estratégia. E destacou que apenas se fosse realmente inevitável deveriam ser consideradas formas de pressão económica.
Leão XIV é estadunidense, mas com longa trajetória pastoral na América Latina. Ele tem reiterado que o foco não deve estar no poder militar, mas na proteção das populações civis.
Citado pela CNN, afirmou que “o melhor é buscar caminhos de diálogo, talvez alguma forma de pressão, inclusive económica…”, acrescentando que é preferível “encontrar outra maneira de promover mudanças, se isso é realmente o que os Estados Unidos desejam”.
O Pontífice também questionou o envio de navios de guerra para a costa venezuelana, reforçando que movimentos militares desse tipo tendem a aumentar a tensão, não a resolvê-la.
Uma voz de paz em tempos de tempestade
Para o Papa, a paz não é um gesto diplomático nem um adorno retórico, é um dever moral. Suas declarações ressoaram como um apelo urgente à consciência internacional, lembrando que, em conflitos dessa magnitude, quem mais sofre são as pessoas comuns, sem poder de decidir o rumo da crise.
Donald Trump está de olho em Nicolás Maduro. Os Estados Unidos vincularam o Presidente venezuelano ao Cartel de los Soles, uma organização que rotularam de terrorista e fundamental para a chegada de substâncias ilegais aos Estados Unidos.
É por isso que pediu aos presidentes dos Estados Unidos e da Venezuela a retomarem o diálogo antes que as armas falem mais alto. O Pontífice também confirmou estar ciente de uma conversa telefônica
Guerra, migrantes e uma Igreja em alerta
De acordo com a imprensa internacional, a condenação do Papa vai além da possível operação militar. Ela inclui a crise migratória e todos os impactos humanos associados a uma escalada no Caribe. Leão XIV expressou preocupação com famílias deslocadas e com o tratamento dado a migrantes, afirmando que políticas agressivas de controlo fronteiriço combinadas com mobilização militar apenas ampliam a dor e a injustiça.
Segundo o Pontífice, uma lógica excessivamente militarizada desestabiliza a região em vez de protegê-la, alimentando novos ciclos de insegurança e vulnerabilidade.
Sua firme rejeição a uma ação armada colocou o Vaticano em posição de resistência diante de sectores de Washington que continuam a tratar a intervenção militar como uma alternativa plausível. Para muitos na América Latina, o Papa representa não apenas uma figura espiritual, mas uma voz alerta diante do risco de um conflito com potenciais consequências humanitárias devastadoras.