Quase 2 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária em Moçambique

A UNICEF divulgou que 1,8 milhões de pessoas entre as quais 1 milhão são crianças, precisarão no próximo ano de assistência humanitária para sobreviver.

Em comunicado apresentado esta terça-feira, a Organização  Humanitária para as Crianças indica que o agravamento dos conflitos, choques climáticos e emergências de saúde pública continuam a impulsionar necessidades humanitárias urgentes em Moçambique.

“Situações de deslocamento, insegurança alimentar, surtos de doenças e riscos de protecção persistem, afectando de forma desproporcional crianças, mulheres e pessoas com deficiência”, indica a UNICEF em comunicado.

Segundo esta organização humanitária, actualmente, 412,000 pessoas permanecem deslocadas em 20 distritos do Norte do país, com necessidades críticas desde o início do conflito (53% crianças).

Além disso, 510,000 pessoas regressadas (45% crianças) continuam a necessitar de apoio urgente na região.

“A violência contra crianças, especialmente em Cabo Delgado e Nampula, persiste e os ataques às comunidades estão a aumentar, incluindo raptos, recrutamento e utilização de menores, bem como violência sexual por parte de grupos armados”.

De acordo com a UNICEF, o encerramento de escolas devido a ataques impediu 50.000 crianças de frequentar as aulas.

Entre Dezembro de 2024 e Março de 2025, três ciclones sem precedentes danificaram 183 unidades de saúde, mais de 4,800 salas de aula e 36 sistemas de abastecimento de água, agravando as já significativas necessidades de infraestrutura.

Em todo o país, mais de 167,000 crianças e mulheres grávidas ou a amamentar necessitam de apoio nutricional urgente, incluindo mais de 29,000 crianças menores de 5 anos que sofrem de desnutrição aguda grave, resultado da crescente insegurança alimentar que afecta 2.1 milhões de pessoas.

A organização humanitária alerta que surtos de doenças como cólera, sarampo e mpox continuam a afectar milhares de pessoas. Mulheres, raparigas e adolescentes continuam a enfrentar restrições no acesso a serviços sensíveis ao género.

A insuficiência de informação e de oportunidades de geração de rendimento acentua a vulnerabilidade à violência baseada no género, agravando o fosso entre as necessidades identificadas e a capacidade de resposta.

Como forma de minimizar os impactos, a UNICEF apela a um financiamento de 58.8 milhões de dólares em 2026, com destaque para água, saneamento e higiene, nutrição, educação e protecção da criança, para alcançar 1.2 milhões de pessoas, incluindo 866 mil crianças.

A UNICEF avisa que sem financiamento contínuo, intervenções cruciais para a sobrevivência e protecção de milhares de crianças poderão ser interrompidas.

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