Europa preferiu entregar dinheiro ao Ruanda e não a Moçambique

Ao abrigo do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz, o Conselho Europeu aprovou, em Novembro de 2024, um pacote adicional de 20 milhões de euros para o combate ao terrorismo na província de Cabo Delgado.

Ficaram por esclarecer as razões pelas quais Moçambique, que mais se ressente das mazelas dos ataques desde Outubro de 2017, foi preterido pelos europeus, que preferiram canalizar o valor para o Ruanda gerir a situação em Cabo Delgado.

A bancada parlamentar da Renamo questionou, ontem, ao Governo sobre o facto, tal que o Ministro da Defesa Nacional disse que o país não se intromete nas decisões dos outros.

“O Governo da República de Moçambique, no âmbito da implementação da política externa e cooperação internacional, prima pelo princípio de não-ingerência, pelo que, respeita as decisões soberanas dos Estados e Organizações Internacionais com as quais interagimos, sobretudo, o modelo de apoio a outros parceiros que apoiam o combate ao terrorismo internacional” disse Cristóvão Chume.

Na ocasião, o governante referiu que a presença do destacamento do exército militar do Ruanda está enquadrada nos mecanismos de cooperação bilateral estratégica.

“O terrorismo é uma ameaça para todas das nações que requer respostas conjugada entre os diferentes actores do sistema internacional” disse.

O Ruanda tem em Moçambique, na província de Cabo Delgado, mais de quatro mil homens, desde 2021, em resposta a um pedido formulado pelo então Governo de liderado por Filipe Nyusi.

Em Agosto, no contexto de uma visita ao Ruanda, o Presidente da República, Daniel Chapo, referiu que o Estatuto das Forças (SOFA) – acordo assinado entre aquele país e Moçambique no âmbito do combate ao terrorismo – estabelece os parâmetros de actuação das tropas estrangeiras quando destacadas em outro país.

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