A Associação Nacional dos Professores (ANAPRO) manifestou forte oposição à substituição do ensino nocturno presencial pelo ensino à distância, considerando a medida inadequada e prejudicial à qualidade da educação no país.
“O ensino à distância, nas actuais condições, não resolve os problemas dos alunos e tende a aprofundar as dificuldades que já enfrentam no ensino presencial”, afirmou o porta-voz da ANAPRO à STV. Esta declaração sublinha que muitos estudantes, sobretudo os com fragilidades básicas de aprendizagem, correm o risco de ver o seu desempenho ainda mais afectado com o ensino remoto.
“Estamos perante uma situação em que o aluno se matricula, permanece em casa e apenas aguarda pelos exames”, explicou o responsável da associação. A ANAPRO alerta que o Ministério da Educação tem plena consciência desta realidade, mas insiste na implementação do modelo remoto, sem garantir acompanhamento efectivo ou aprendizagem consistente.
“A pessoa não vale aquilo que o certificado diz. O ensino à distância não é nada, é apenas uma distribuição de certificados”, acrescentou, criticando a transformação do processo educativo numa mera formalidade administrativa. Segundo a associação, este modelo compromete o valor dos certificados e a preparação académica e profissional dos estudantes.
“Se um aluno no ensino presencial já tem dificuldades, imaginemos no ensino à distância. A situação vai piorar”, frisou, destacando que o ensino remoto pode agravar a desigualdade e dificultar ainda mais o acesso a uma aprendizagem de qualidade, principalmente em zonas onde faltam recursos tecnológicos e materiais didácticos.
A ANAPRO defende que a solução passa por investir no ensino presencial, na formação contínua de professores, na melhoria das infra-estruturas escolares e no fornecimento de materiais adequados, em vez de recorrer a soluções que não resolvem os problemas estruturais do sector educativo.
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