O sector bancário moçambicano enfrenta um problema crescente relacionado com o não pagamento de créditos por parte de clientes, quer particulares quer empresas.
Segundo o relatório do Banco de Moçambique (BdM) sobre os Indicadores Prudenciais e Económico-Financeiros, publicado nesta terça-feira, referente ao primeiro trimestre do ano, o Banco Comercial e de Investimentos (BCI) surge como uma das instituições mais expostas a esta realidade, com um rácio de crédito em atraso de 14,47%, ligeiramente acima do trimestre anterior.
Apesar disso, o banco reforçou as suas reservas internas para cobrir possíveis perdas, atingindo um rácio de cobertura de 21,03%, numa tentativa de reduzir o impacto desses incumprimentos.
Já o Millennium BIM, um dos principais bancos de Moçambique, apresentou um desempenho mais positivo, ao reduzir o seu nível de incumprimento para 2,37%, abaixo dos 2,69% registados anteriormente.
Este banco também aumentou a sua capacidade de cobertura para 86,57%, o que indica uma posição mais segura para lidar com eventuais atrasos.
Ainda de acordo com o mesmo relatório, no caso do Moza Banco, a situação continua preocupante, embora com sinais de melhoria. O banco reduziu o rácio de incumprimento de 29,21% para 27,58%, o que ainda representa um nível elevado de créditos por recuperar.
Já o Access Bank Moçambique manteve a mesma percentagem do período anterior, fixado em 6,96%, ainda acima do limite recomendado pelo regulador.
Em meio a tudo isto, há bancos que mantiveram um bom desempenho. É o caso do FNB Moçambique que registou 4,66%, o Standard Bank Moçambique apenas 0,64%, o First Capital Bank Moçambique 1,66% e o Absa Bank Moçambique 4,15%, todos dentro dos limites considerados seguros pelo Banco de Moçambique.
No relatório de estabilidade financeira, o BdM alertou que “o rácio de crédito malparado se fixou em 2024 em 9,32% do total, contra 8,23% no ano anterior, continuando acima do limite máximo de 5,0%, convencionalmente aceite”.
O mesmo relatório acrescenta ainda que o crédito mal parado totalizou mais de 30 mil milhões de meticais, o equivalente a cerca de 412 milhões de euros, o que representa um aumento significativo face ao ano anterior.
O aumento destes créditos em atraso está muitas vezes ligado a factores como dificuldades económicas das famílias, redução do rendimento das empresas, aumento do custo de vida e instabilidade de alguns sectores produtivos.