Um cidadão tunisino foi detido em França, suspeito de planear uma série de atentados na região parisiense. De acordo com os investigadores, o jovem de 27 anos, indiciado e colocado em prisão preventiva esta segunda-feira (11), previa exilar-se, depois de cometer os actos violentos, para Moçambique, ou para a Síria, locais onde o Estado Islâmico mantém uma forte presença.
Uma explosão no museu do Louvre e um ataque contra uma comunidade judaica do abastado 16.° bairro de Paris. Eram, de acordo com a justiça antiterrorista francesa, os planos do jovem tunisino, actualmente em prisão preventiva e que ele próprio terá mencionado durante o interrogatório.
Nascido em Djerba, na Tunísia, em 1999, o jovem chegou a França à procura de trabalho em 2022, proveniente da ilha de Lampedusa, um importante ponto de passagem nas rotas de migração clandestina.
Desde então, nunca obteve documentação válida em França, o que lhe valeu uma passagem por um Centro de Retenção Administrativa, estrutura destinada à detenção de pessoas em situação irregular.
No telemóvel do suspeito, os investigadores encontraram vídeos de propaganda jiadista e centenas de fotografias de armas brancas e de fogo. O histórico de pesquisas no Chatgpt indicou ainda que o suspeito procurou saber “como fabricar uma bomba” e os danos provocados por determinados explosivos.
Segundo uma publicação da RFI, os investigadores suspeitam que o jovem planeava “ataques violentos de inspiração jihadista” e preparava uma hijra, termo utilizado para designar o exílio rumo a uma “terra do Islão”, com o objectivo de integrar as fileiras do Estado Islâmico, na Síria ou em Moçambique.
É também no continente africano que se registou mais de metade do número de vítimas do terrorismo jihadista em 2025, mais precisamente no Sahel, onde operam grupos como o Estado Islâmico ou o JNIM, afiliado à Al-Qaeda. A ONU declarou o Sahel como o epicentro do terrorismo mundial durante três anos consecutivos.
Em França, após um período de recuo entre 2021 e 2023, a ameaça jiadista voltou a aumentar, desde 2024, de acordo com dados oficiais.
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