A epidemia, que inicialmente estava circunscrita aos distritos de Tete e Changara, propagou-se agora para as regiões de Marara e Moatize. O governador Domingos Viola apela à contenção imediata perante o agravamento do cenário epidemiológico.
A província de Tete enfrenta um momento crítico de saúde pública. De acordo com o mais recente balanço das autoridades sanitárias, a cólera já causou a morte a 12 pessoas na região. A preocupação central reside no facto de a doença se estar a espalhar para novos distritos, nomeadamente Marara e Moatize, que se juntam aos focos já ativos na cidade de Tete e em Changara.
O balanço da situação
Os dados oficiais revelam uma concentração preocupante de casos em pontos específicos:
• Moatize: É o distrito mais fustigado, registando oito óbitos até ao momento.
• Cidade de Tete: Contabiliza três vítimas mortais.
• Changara: Regista um óbito.
Até à manhã da última segunda-feira, foram notificados 11 novos casos. No total, desde o mês de setembro, as autoridades já registaram 425 casos daquela que é vulgarmente apelidada de “doença das mãos sujas”. Atualmente, oito doentes permanecem internados em unidades sanitárias.
Mortes fora do sistema de saúde preocupam o Governo
O governador da província, Domingos Viola, expressou particular inquietação com o número de óbitos que ocorrem fora das unidades de saúde. Para o governante, este fenómeno pode indicar uma “chegada tardia” aos postos de socorro ou uma incapacidade de resposta atempada perante os primeiros sintomas.
“Precisamos de estar conscientes de que a questão da cólera não depende exclusivamente do setor da saúde. Requer uma intervenção multissetorial”, advertiu o governador, sublinhando que a época das chuvas potenciará a propagação da bactéria caso as medidas de contenção não sejam eficazes.
Escassez de água potável agrava o risco
Um dos principais obstáculos no combate à epidemia é a escassez de água potável em diversos bairros da cidade de Tete. Perante a falta de abastecimento seguro, a população tem recorrido a fontes de água impróprias para consumo, elevando drasticamente o risco de contágio.
O Comitê Operativo de Emergência (COE) deverá reunir-se ainda esta semana para avaliar as ações em curso. As autoridades reiteram o apelo para que nenhum caso, por mais isolado que pareça, seja desvalorizado, uma vez que um único foco pode dar origem a um surto descontrolado em pouco tempoo.
Fonte: Notícias