Escassez de combustíveis volta a asfixiar Maputo

A escassez de combustíveis volta a asfixiar a cidade de Maputo, criando um cenário de forte aflição com especial incidência sobre a gasolina. Postos de abastecimento em vários bairros da capital viram-se forçados a colocar cones de sinalização, transformando o que parecia um detalhe decorativo no aviso claro de que o recurso energético esgotou.

A situação gera constrangimentos severos à circulação rodoviária e à actividade económica urbana. Condutores de viaturas particulares, transportes semi-colectivos de passageiros e motociclistas veem-se encurralados em maratonas diárias à cata do produto, passando horas intermináveis em filas que serpenteiam pelas ruas.

O impacto desta crise atinge em cheio o orçamento das famílias e dos operadores económicos. Condutores ouvidos pela reportagem da MBC relatam momentos de desespero em que automóveis chegam a ser empurrados por força humana até aos recintos dos postos devido à secura total dos depósitos.

“Tá difícil ter combustível. Ultimamente, já estou aqui há uma hora, então está complicado isto. Quem tinha que abastecer quinhentos ou mil meticais tem que duplicar o valor para conseguir rodar à procura do próprio combustível,” desabafa Dalton Gussule, automobilista afectado à MBC.

Outros condutores, como Isac Amisse, relatam uma peregrinação infrutífera por diferentes zonas da cidade, passando por bombas em Xiquelene e Maguanine antes de conseguirem encontrar um posto minimamente abastecido ou a descarregar o produto.

A necessidade de percorrer múltiplas bombas e aguardar horas nas filas obriga os automobilistas a duplicarem os gastos diários em combustível apenas para assegurar a mobilidade profissional e pessoal.

A tensão abrandou ligeiramente quando camiões-cisterna conseguiram finalmente descarregar lotes de combustível, fazendo as torneiras jorrar novamente trinta minutos depois e trazendo um alívio momentâneo aos condutores.

Questionado sobre o assunto, o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, esclareceu que o Executivo está a acompanhar a situação e prometeu pronunciar-se oportunamente, avançando que decorre uma análise para perceber os contornos desta segunda vaga de escassez.

Por seu turno, gestores de postos de abastecimento denunciam uma redução no fornecimento por parte dos operadores grossistas, apontando o factor como a raiz de um problema que volta a asfixiar a normalidade no país.

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