Executivo desafia sector privado a apostar no gás veicular face à crise de combustíveis

O Executivo moçambicano apela a um maior envolvimento dos empresários na massificação do gás veicular. A medida surge como resposta estratégica à volatilidade dos preços dos combustíveis líquidos no mercado internacional e visa aliviar o custo de vida das famílias e empresas.

Numa altura em que a instabilidade no mercado global de combustíveis continua a ditar incertezas sobre os preços nas bombas, o Governo de Moçambique intensificou esta terça-feira, no âmbito da sessão ordinária do Conselho de Ministros, o apelo para a transição energética a nível nacional. Através do seu porta-voz, Inocêncio Impissa, o Executivo instou o sector privado a explorar as potencialidades do gás nacional como uma alternativa mais viável, sustentável e economicamente acessível.

O posicionamento do Governo sublinha a necessidade de aproveitar os vastos recursos de gás natural de que o país dispõe, transformando-os em capital interno. O objectivo é duplo: reduzir a dependência da importação de derivados de petróleo — cujos preços oscilam frequentemente devido a factores geopolíticos externos — e democratizar o acesso a uma fonte de energia mais barata para o cidadão comum e para a classe empresarial.

Para viabilizar esta aposta, o Governo tem criado as condições necessárias, nomeadamente através do ajustamento do quadro jurídico-legal. Este arcabouço normativo já contempla a facilitação de mecanismos para a conversão de motores a diesel e gasolina para gás, um processo que se apresenta como uma oportunidade de negócio promissora para o sector privado.

“A tarefa do Governo é criar as condições efectivas. Já existem as bases instrumentais e o quadro jurídico para que esta transição ocorra. Cabe agora ao sector empresarial abraçar este tipo de aposta e avançar, pois trata-se de um bom negócio perante as incertezas do mercado internacional”, afirmou o porta-voz do Governo.

A transição para o gás veicular é apresentada como uma solução de mitigação face aos riscos de ruptura e aos elevados custos de logística dos combustíveis fósseis tradicionais. O Executivo deixa claro, contudo, que a adesão a este novo modelo exige que os automobilistas e os detentores de frotas façam uma ponderação estratégica sobre os custos de investimento inicial e os ganhos a médio e longo prazo.

Com esta medida, Moçambique dá mais um passo no sentido de consolidar a sua soberania energética, procurando proteger a economia nacional contra os choques externos que tornam a gestão dos combustíveis um dos maiores desafios da conjuntura actual.

Imagem: DR

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