Saif al-Islam Kadhafi, o segundo filho do antigo líder líbio Muammar Kadhafi e, outrora, o herdeiro presuntivo do regime, foi assassinado esta terça-feira, 3 de fevereiro, na cidade de Zintane. A notícia, que está a abalar o cenário político no Norte de África, foi confirmada pelo seu advogado e por fontes próximas da família.
De acordo com os primeiros relatos das autoridades locais e da comunicação social líbia, o ataque terá sido perpetrado por um grupo de quatro indivíduos armados e ainda não identificados. Os atacantes terão invadido a residência onde Saif al-Islam vivia, sob forte proteção, em Zintane.
Fontes de segurança indicam que o sistema de videovigilância da propriedade foi neutralizado momentos antes da incursão, sugerindo uma operação planeada e coordenada. Apesar da rápida intervenção das milícias locais que garantiam a sua segurança, o óbito foi declarado no local.
O seu conselheiro político, Abdullah Othman, e o advogado Khaled al-Zaidi emitiram breves comunicados confirmando a morte do político de 53 anos. O seu primo, Hamid Kadhafi, descreveu-o como um “mártir da pátria”, enquanto a Procuradoria-Geral da Líbia já anunciou a abertura de um inquérito para apurar as responsabilidades e identificar os autores do crime.
Saif al-Islam foi, durante décadas, o rosto “modernizador” do regime do seu pai, tendo estudado na London School of Economics. Após a queda de Muammar Kadhafi em 2011, foi capturado em Zintane e permaneceu detido ou sob vigilância de milícias locais durante a maior parte da última década.
Em 2021, reapareceu publicamente para apresentar a sua candidatura às eleições presidenciais — que acabariam por ser adiadas — mantendo-se como uma figura de culto para os nostálgicos do antigo regime e um elemento de discórdia para os seus opositores.
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