Gaza: Choques climáticos agravam insegurança alimentar e nutricional no sul de Moçambique

A província de Gaza, na região sul de Moçambique, registou um agravamento significativo da situação de Segurança Alimentar e Nutricional durante o primeiro trimestre de 2026. A deterioração do cenário social é o resultado directo de eventos climáticos extremos que fustigaram a região, com particular enfoque para as cheias, inundações e os impactos causados pela passagem do ciclone Gezani.

A radiografia da crise foi apresentada pela governadora de Gaza, Margarida Mapandzene, durante uma sessão de trabalho com os deputados da Comissão da Agricultura, Economia e Ambiente (CAEA) da Assembleia da República. A comitiva parlamentar encontra-se na cidade de Xai-Xai desde o último domingo (24), no quadro das actividades de fiscalização institucional e acompanhamento da acção governativa.

Segundo a governante, os fenómenos climatéricos comprometeram de forma severa os meios de subsistência das populações locais, afectando negativamente os pilares essenciais da segurança alimentar, desde a disponibilidade e acesso até à utilização adequada e estabilidade do abastecimento de comida. As inundações provocaram a perda massiva de culturas agrícolas, a destruição de infra-estruturas públicas e estradas, condicionando a mobilidade e o acesso aos serviços sociais básicos.

Margarida Mapandzene esclareceu que, até ao momento, não existem dados quantitativos pós-choque actualizados que permitam determinar com precisão o número exacto de cidadãos em situação de insegurança alimentar aguda, impossibilitando a sua indexação segundo os critérios da Classificação Integrada das Fases de Segurança Alimentar (IPC).

Face ao cenário, as autoridades provinciais e as agências humanitárias estão a canalizar apoios multissectoriais através da distribuição de produtos alimentares, entrega de insumos agrícolas para potenciar a segunda época da Campanha Agrícola 2025/2026 e o reforço da monitoria nutricional nas unidades sanitárias.

Por seu turno, a relatora da CAEA, Leonor Neves Mondlane, enalteceu a capacidade de resiliência demonstrada pelas instituições e pelas comunidades locais. A parlamentar sublinhou que, apesar da gravidade dos danos materiais reportados e dos constrangimentos nos desembolsos orçamentais, o progresso visível nos campos agrícolas e no processo de reconstrução supera as expectativas iniciais da comitiva.

“Queremos também sublinhar que quando percorremos parte da província, vimos uma realidade diferente daquela que esperávamos após tamanha destruição. Não parece que esta zona tenha sofrido uma cheia tão severa”, disse a deputada, destacando que o cenário de Gaza evidencia o forte esforço de reconstrução levado a cabo pelas autoridades, tendo em conta a dimensão dos danos causados por estes fenómenos.

 

(Foto DR)

Deixe um comentário