A situação de segurança no distrito de Ancuabe, na província de Cabo Delgado, está a degradar-se drasticamente. Residentes locais relatam a circulação de grupos insurgentes em várias aldeias, realizando queimadas de habitações e saques, perante uma alegada inércia das Forças de Defesa e Segurança (FDS) posicionadas na região.
Em declarações exclusivas à Rádio Zumbo FM, entre sexta-feira e sábado (08 e 09 de Maio de 2026), vários residentes descreveram um cenário de abandono. Segundo as fontes, os ataques têm ocorrido há quase uma semana em zonas como Muaja e Minheuene, onde uma igreja foi incendiada e bens da população foram roubados.
“É uma grande preocupação, cada vez mais está nos deixar muito triste. Passaram quase uma semana. Entraram na aldeia de Muaja entre as 13h e 14h. A população dispersou-se”, contou um residente à Zumbo FM.
Na última sexta-feira, o grupo terá atacado a aldeia de Namakuli, situada estrategicamente próxima da posição militar de Nakololo, em Namacarara. Mesmo com a proximidade da tropa, as casas foram reduzidas a cinzas, forçando os sobreviventes a refugiarem-se na aldeia de Noviane.
A par das destruições, há relatos de crimes direccionados. Em Minheuene, os insurgentes terão raptado um homem e exigido um resgate de 10 mil meticais.
De acordo com as fontes citadas pela Zumbo FM, a família tentou efectuar o pagamento via transferência móvel, mas os atacantes recusaram, exigindo a entrega do valor em numerário e em mão. Após esse impasse, o paradeiro da vítima permanece desconhecido.
A falta de resposta imediata das autoridades está a alimentar um sentimento de revolta e insegurança. “A população está a refugiar-se, a ultrapassar a nossa própria tropa, mas não houve nenhuma intervenção”, lamentou um dos moradores.
As famílias estão a abandonar as suas machambas e lares, procurando abrigo em zonas consideradas mais seguras, muitas vezes sem saber se poderão regressar.
A Rádio Zumbo FM tentou obter esclarecimentos junto do Administrador Distrital de Ancuabe, Edson Lino, contudo, o dirigente mostrou-se indisponível para prestar declarações sobre a situação operativa no terreno.
Até ao momento, não houve qualquer pronunciamento oficial por parte do Comando Provincial ou do Ministério da Defesa Nacional sobre o reforço das patrulhas nas aldeias afectadas deste distrito.
Imagem: DR