Joaquim Chissano defende que a solução na África do Sul passa pela legalização dos moçambicanos

O antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, defende que a actual vaga de repatriamentos e a tensão que envolve os moçambicanos na África do Sul resultam da permanência ilegal em território estrangeiro. Para o ex-estadista, a solução passa obrigatoriamente pela via jurídica, apelando a que todos os que queiram emigrar escolham o caminho da legalização.

“O que é preciso é normalizar aquilo que está anormal”, apontou Chissano, sublinhando que os cidadãos que se encontram em situação irregular — sejam eles moçambicanos, nigerianos ou malauianos — devem regressar aos seus países de origem para reorganizar os seus processos migratórios.

Segundo o antigo governante, o executivo sul-africano tem sido claro ao garantir que as portas do país continuam abertas e que todos são bem-vindos, desde que cumpram com os canais e as regras estabelecidas por Pretória.

Joaquim Chissano recordou ainda que a exigência da documentação e o combate à imigração clandestina não são exclusividades da nação vizinha. Moçambique adota a mesmíssima postura face a estrangeiros em situação irregular nas suas fronteiras.

“São bem-vindos aqueles imigrantes que vêm de uma forma legal. Já ouvi muitas vezes somalians, etíopes e outros a serem repatriados nas nossas fronteiras. Portanto, nós também estamos a dizer a mesma coisa”, frisou à STV.

Para o antigo Presidente, não se pode exigir da África do Sul uma flexibilidade que o próprio Estado moçambicano não aplica internamente.

Como recomendação final, Chissano aconselhou os compatriotas a planificarem o recomeço das suas vidas com base na legalidade. O ex-chefe de Estado garantiu que o Governo moçambicano mantém-se disponível para prestar o apoio necessário neste processo de transição, seja através da facilitação na emissão de passaportes ou por via de contínuas negociações com as autoridades sul-africanas.

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