A Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) alcançou recentemente um acordo com a empresa de locação financeira Azorra Holdings para a aquisição de uma aeronave Bombardier Q400.
O desfecho, com contornos invulgares, surge após um longo período de silêncio por parte da companhia moçambicana, o que levou a proprietária do aparelho a declarar o avião como “roubado” em Maputo e a exigir uma indemnização milionária à sua seguradora.
O caso remonta ao aluguer de um Bombardier Q400 pela LAM, através da comissão de gestão da Fly Modern Ark (FMA). Decorrido algum tempo de operação, a aeronave registou uma avaria num dos motores, que já havia atingido o fim do seu ciclo de vida útil. Sem que a gestão da LAM informasse formalmente a Azorra Holdings, empresa proprietária registada na Irlanda e nos Estados Unidos, o avião permaneceu imobilizado no Aeroporto Internacional de Mavalane, em Maputo.
Contudo, em vez de se avançar para a reparação regulamentar, a LAM iniciou um processo mecânico internamente conhecido como “canibalização”, que consistiu na remoção de peças sobressalentes da aeronave inoperacional para equipar outros aviões ativos da mesma frota. Perante a falta de esclarecimentos e o silêncio da operadora moçambicana, a Azorra accionou a sua seguradora, a Hollard, alegando que o aparelho havia sido roubado em Maputo e exigindo o pagamento de uma indemnização de 11 milhões de libras esterlinas.
A seguradora Hollard recorreu então à corretora internacional Marsh para que enviasse peritos a Maputo com a missão de localizar o aparelho. A investigação apurou rapidamente que o Bombardier Q400 não tinha desaparecido, mas encontrava-se estacionado nos hangares da LAM na capital moçambicana, embora completamente desmantelado e sem condições de voar devido à retirada sistemática de componentes. Os custos para recolocar a aeronave no ar foram estimados em cerca de 3 milhões de dólares, sendo 2 milhões de dólares para a reparação profunda do motor e 1 milhão para a reposição das restantes peças retiradas.
De acordo com as informações apuradas e publicadas pelo jornal Canal de Moçambique, para salvaguardar a sua reputação internacional e garantir a continuidade do acesso ao mercado global de aviação civil, a LAM viu-se obrigada a comprar o avião no estado em que estava. A companhia nacional teve de escolher entre reparar o avião e devolvê-lo juntamente com o pagamento de pesadas indemnizações por danos e lucros cessantes, ou negociar a compra definitiva nas condições mecânicas em que se encontrava, mas pagando o preço de um avião totalmente operacional, embora os valores finais da operação não tenham sido revelados ao jornal.
Imagem: DR