Líder da Saúde em fuga após ataque armado na sua residência

Anselmo Muchave, líder da Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique, denunciou um ataque violento à sua casa em Maputo. O sindicalista relaciona o incidente com o ultimato dado ao Governo para o pagamento do 13.º mês.

O presidente da APSUSM, Anselmo Muchave, revelou ao jornal SAVANA que foi forçado a abandonar a sua habitação e a refugiar-se num local incerto. A decisão surge após a sua residência ter sido invadida por três indivíduos, um dos quais armado, que procuravam o sindicalista e agrediram violentamente o seu segurança.

O incidente ocorreu na manhã de segunda-feira, dia 29, poucas horas antes de Muchave realizar uma conferência de imprensa. Segundo o relato, o dirigente notou um veículo suspeito nas imediações da sua casa por volta das 06h00.
Ao entrarem na propriedade, os invasores exigiram saber o paradeiro do “dono da casa”. Perante a resposta negativa do segurança, os indivíduos acusaram-no de mentir, amarraram-no e desferiram golpes que resultaram numa fratura num braço e ferimentos graves na cabeça. A vítima foi socorrida por um vizinho e encontra-se hospitalizada em estado estável.

Ligação ao ultimato do 13.º mês
Anselmo Muchave é categórico ao afirmar que este ataque é uma tentativa de silenciamento. O evento ocorreu no mesmo dia em que a APSUSM anunciou um ultimato de 15 dias ao Governo moçambicano para o pagamento integral do 13.º salário, sob ameaça de uma “greve perigosa” que poderá paralisar o Sistema Nacional de Saúde (SNS).

“Para mim, isto está ligado ao caso das nossas reivindicações. Recebi chamadas de pessoas ligadas ao Governo a questionarem se eu ia mesmo dar a conferência de imprensa”, afirmou Muchave.

Apesar do clima de insegurança e de se encontrar escondido, o líder sindical reforçou que não abandonará o país nem recuará nas suas posições. Muchave sublinhou que a subsistência dos profissionais de saúde e o funcionamento das unidades sanitárias dependem do cumprimento das exigências feitas ao Executivo.

“Continuo firme na luta pelos direitos dos profissionais de saúde e do povo moçambicano. Se desistirmos, as unidades sanitárias entrarão em colapso”, concluiu o dirigente, mantendo a pressão sobre o Governo para a resolução do impasse salarial nas próximas duas semanas.

Imagem: DR

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