O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) apelou ao Executivo para que intervenha na prorrogação do contrato com a multinacional Mozal. O objetivo é evitar o encerramento da empresa, previsto para Março de 2026, que ameaça milhares de postos de trabalho.
O chefe da bancada parlamentar do MDM, Fernando Bismarque, defendeu ontem, em conferência de imprensa, a necessidade urgente de encontrar soluções que garantam a estabilidade financeira dos trabalhadores moçambicanos. A reação surge após o anúncio da multinacional de suspender as suas operações a partir de 15 de Março de 2026, alegando incapacidade de assegurar energia elétrica a preços competitivos.
A dimensão do impacto
Bismarque sublinhou que o caso da Mozal não é apenas uma questão económica, mas possui uma “dimensão social muito forte”, dado o volume de famílias que dependem diretamente da indústria. O deputado alertou que o encerramento terá um efeito dominó na economia nacional, afetando setores como: Os Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), o Porto de Maputo (MPDC) e Inúmeros fornecedores de serviços locais.
O problema energético
Reconhecendo que Moçambique não possui, de momento, capacidade para fornecer a energia necessária às operações da Mozal, o MDM sugere que o Governo encete contactos com a contraparte sul-africana. O objetivo seria desenhar uma saída que não penalize os trabalhadores nem a economia do país.
“É falacioso dizer que esta posição da Mozal é uma chantagem”, afirmou Bismarque, recordando que a empresa tem dado sinais de possível encerramento desde 2010.
Imagem internacional e zonas francas
Para o MDM, Moçambique não se pode dar ao luxo de ver a Mozal fechar portas, por se tratar de uma das primeiras grandes empresas a investir no país, sendo um pilar do ambiente de negócios. Apesar da “aparente pouca contribuição” em termos de receitas fiscais diretas — devido ao seu regime de zona franca —, o partido defende que o papel estratégico da multinacional é vital para a reputação internacional de Moçambique.
Fonte: Notícias, Imagem: DR