Os desmobilizados da Renamo visados por uma queixa-crime apresentada pela direcção do partido garantem que não irão recuar das acções de contestação à liderança de Ossufo Momade. Os membros, notificados pela Procuradoria por alegada invasão da sede nacional, do gabinete do presidente do partido e de delegações políticas, consideram o processo uma tentativa de intimidação e asseguram que vão continuar a ocupar as infra-estruturas da formação política em todo o País.
Os desmobilizados da Renamo visados por uma queixa-crime apresentada pela direcção do partido reafirmaram, esta terça-feira, que não irão desistir da contestação interna, apesar das notificações da Procuradoria e das alegadas perseguições e ameaças de morte de que dizem ser alvo.
Segundo Arone Lovanhane, um dos rostos do movimento, os membros foram notificados por alegada invasão da sede nacional da RENAMO, do gabinete do presidente Ossufo Momade e de várias delegações provinciais, acusações que rejeitam.
“Fomos notificados pela Procuradoria alegadamente por invasão da sede nacional e que isso constitui crime. As delegações são a nossa casa. Pertencem ao partido Renamo. Estranhamente, nenhum desmobilizado foi notificado. Além disso, alguns membros perderam o mandato na Assembleia Municipal da Cidade da Matola. Essa é a forma que encontraram para ameaçar, para que outras pessoas tenham medo. Nós vamos continuar. Mesmo em províncias que ainda não ocupamos, como Sofala e a Cidade de Maputo, iremos ocupar todas as delegações”, afirmou Lovanhane, citado pelo Jornal Evidências.
Lovanhane acusa ainda a liderança de Ossufo Momade de ignorar as preocupações apresentadas pelos contestatários e de recorrer à força para travar os protestos. “Não respondeu às cartas que mandamos. Na quarta-feira fomos permanecer na sede nacional como forma de protesto e, como resposta, chamou a sua segurança privada e a UIR para nos atacar. As delegações não são do Ossufo Momade”, declarou.
Ao todo, cinco membros foram notificados pela Procuradoria para responder à queixa apresentada pela Renamo. Entre os notificados está Torina Maquitai, que considera injusta a actuação da direcção do partido.
“Fomos notificados por via SMS quando estávamos a trabalhar em Inhambane. Quando me comunicaram sobre o assunto, pedi tempo para chamar o meu advogado e preparar a minha defesa. A forma como o partido está a proceder, para mim, não é correcta, porque a sede era o único local onde nós, colegas, nos encontrávamos. Só nos resta esperar pela decisão da justiça. Mas nós não vamos recuar”, afirmou.
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