“Transição climática coloca 300 mil empregos em risco no mundo” – aponta estudo

Um novo relatório do laboratório colaborativo CoLABOR estima que “entre 126 mil e 300 mil empregos possam vir a sofrer transformações profundas, tanto em número como em conteúdo funcional”. Estes postos estão concentrados em actividades com fortes emissões, onde predominam trabalhadores mais velhos, com baixas qualificações e salários reduzidos.

O relatório foi apresentado na última quarta-feira durante as jornadas CoLABOR, que juntaram peritos e decisores na Fundação Calouste Gulbenkian.

Segundo uma publicação do Jornal Negócios, o estudo “Trabalho, Emprego e Proteção Social 2025” analisa a transição justa a partir dos chamados empregos verdes e castanhos. Os primeiros “contribuem directa ou indirectamente para uma economia de baixo carbono ou carbono líquido zero”, enquanto os segundos inserem-se em categorias socioprofissionais vulneráveis aos impactos das políticas de acção climática.

Em 2023, escrevem os autores, havia 463,4 mil trabalhadores em empregos verdes (13,1% do total), mas o seu peso recuou face a 2010, apesar do crescimento em termos absolutos. São também estas profissões, novas e emergentes, aquelas que apresentam os níveis remuneratórios médios mais elevados (1932 euros).

Do lado castanho, o relatório revela que “80% do emprego está associado a apenas 15% das emissões, enquanto 20% concentra 85% do total”. Um conjunto reduzido de profissões torna-se, desta forma, particularmente exposto às políticas de descarbonização, seja por perda de postos de trabalho, seja por uma mudança profunda das funções desempenhadas.

Os autores sublinham que a transição não é apenas risco e conclui que “a transição para uma economia de baixo carbono, embora produza novas vulnerabilidades, constitui também uma oportunidade económica de grande escala”. Mas essa oportunidade só se concretiza, defendem, com investimento consistente, qualificação da mão de obra e políticas robustas de formação, reconversão profissional e protecção social, para evitar o agravamento das desigualdades.

Num contexto em que a intensidade da pobreza voltou a subir cerca de quatro pontos percentuais entre 2021 e 2023, os autores avisam que as opções actuais “estão a aprofundar desigualdades entre instrumentos de protecção social e entre grupos sociais e etários”. A transição climática, concluem, só será verdadeiramente justa se não deixar para trás quem já hoje está mais vulnerável no mercado de trabalho.

 

(Foto DR)

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