ONU alerta para persistência da corrupção e violência no Sudão do Sul – O País
A Organização das Nações Unidas (ONU) alerta para a persistência da corrupção, da violência e das violações dos direitos humanos no Sudão do Sul, a poucos meses das eleições previstas para Dezembro deste ano. A advertência surge depois de uma comissão de direitos humanos das Nações Unidas ter concluído que o país não registou progressos significativos na luta contra a corrupção e na estabilização política.
O Governo sul-sudanês pretende realizar as eleições em Dezembro, naquela que será a primeira votação desde a independência do país, conquistada há 15 anos. Entretanto, a situação política e de segurança continua marcada por fortes tensões entre as forças leais ao Presidente Salva Kiir e as ligadas ao líder da oposição, Riek Machar.
Segundo a comissão da ONU, o agravamento dos confrontos ocorre num contexto de colapso do acordo de partilha de poder entre os dois rivais políticos. A instabilidade tem sido acompanhada por graves violações dos direitos humanos, incluindo assassinatos, deslocamentos forçados, violência sexual e detenções arbitrárias.
A comissão considera que continuam ausentes várias condições necessárias para a realização de eleições pacíficas, livres e credíveis. O espaço político e cívico no país terá igualmente diminuído, dificultando a participação e a actuação de diferentes sectores da sociedade.
No domínio da corrupção, a ONU afirma que pouco mudou desde a publicação, no ano passado, de um relatório que denunciava o desvio de milhares de milhões de dólares provenientes das receitas petrolíferas por elites governamentais.
Os recursos, segundo o documento, terão sido desviados enquanto o país continuava com graves carências em áreas fundamentais, como educação, saúde e construção de instituições públicas.
O comissário da ONU, Carlos Castresana Fernandez, defendeu a realização de investigações independentes às alegadas violações e práticas de corrupção, alertando que a impunidade contribui para o agravamento da violência.
Por sua vez, a presidente da comissão, Yasmin Sooka, afirmou que os padrões de violação dos direitos humanos pouco se alteraram, enquanto o custo humano da crise continua a aumentar.
As eleições no Sudão do Sul já foram adiadas duas vezes, em 2022 e 2024, devido à incapacidade do Governo de criar as condições e estruturas necessárias para a sua realização.