Preços em Moçambique registam nova queda de 0,28% em Agosto – O País
Os preços em Moçambique voltaram a diminuir em Agosto, com uma variação mensal negativa de 0,28% face a Julho, enquanto a inflação homóloga desacelerou de 7,48% para 6,45%, segundo os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
De acordo com o Índice de Preços no Consumidor (IPC) referente a Agosto, a economia moçambicana registou uma deflação mensal de 0,28%, ligeiramente acima da queda de 0,26% verificada em Julho. A maior contribuição para esta redução veio da divisão de Alimentação e Bebidas Não Alcoólicas, que teve um impacto negativo de 0,33 pontos percentuais.
Entre os produtos que mais influenciaram a descida dos preços encontram-se o tomate, cujo preço caiu 16,3%, a alface, com uma redução de 9,8%, a cebola, que baixou 2,8%, o feijão-manteiga, com menos 1,6%, e o repolho, que registou uma queda de 6,7%.
Também contribuíram para a redução dos preços o carapau, com uma descida de 0,6%, e as refeições completas em restaurantes, que ficaram 0,3% mais baratas. No conjunto, estes produtos retiraram aproximadamente 0,38 pontos percentuais à variação mensal do IPC.
Em sentido contrário, alguns produtos registaram aumentos de preços durante o mês. O cimento subiu 3,1%, enquanto a manga seca teve um aumento de 53,0%. A galinha viva encareceu 1,4%, o milho em grão aumentou 3,1%, o peixe seco 0,5%, o peixe fresco 0,6% e o camarão seco 3,3%. No total, estes produtos acrescentaram cerca de 0,14 pontos percentuais à inflação mensal.
Os dados do INE mostram ainda que a inflação acumulada desde o início do ano passou de 5,12%, em Julho, para 4,83%, em Agosto. No mesmo período, a inflação homóloga recuou de 7,48% para 6,45%, acompanhando a segunda queda mensal consecutiva dos preços.
Os Transportes e a Alimentação e Bebidas Não Alcoólicas continuam a destacar-se entre as divisões que exercem maior pressão sobre os preços. Na inflação acumulada, os Transportes contribuíram com 2,05 pontos percentuais e a Alimentação e Bebidas Não Alcoólicas com 1,52 pontos percentuais. Na comparação homóloga, estas duas divisões registaram aumentos de preços de 14,77% e 8,91%, respectivamente.
No período de Janeiro a Agosto, os principais contributos para a inflação acumulada vieram do gasóleo, dos transportes semicolectivos urbanos e suburbanos de passageiros, do peixe fresco, da gasolina, dos serviços de táxi, da couve e do peixe seco. Em conjunto, estes produtos e serviços foram responsáveis por cerca de 2,82 pontos percentuais da inflação acumulada.
A análise por cidades revela que todos os centros de recolha considerados pelo INE registaram deflação em Agosto. Xai-Xai apresentou a maior redução, com uma queda dos preços de 1,21%, seguindo-se a Beira, com 0,51%, Nampula, com 0,32%, e Tete, com 0,29%. Maputo e Quelimane registaram ambas uma descida de 0,12%.
Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, Tete continua a apresentar a taxa de inflação mais elevada, situada em 10,71%. Seguem-se a província de Inhambane, com 8,32%, e Chimoio, com 8,25%. Maputo apresenta a menor taxa de inflação homóloga, de 4,08%.
Os dados anteriores do INE indicam que os preços em Moçambique aumentaram 3,23% ao longo de 2025. Já a inflação acumulada em 2024 foi de 4,15%, abaixo dos 5,3% registados em 2023 e do máximo de quase 13% atingido em Julho de 2022.
Entretanto, o Banco de Moçambique manteve, em Julho, a taxa de juro de referência em 9,25%. A instituição reconheceu a existência de pressões inflacionistas no curto prazo, mas prevê que a inflação permaneça em níveis de um dígito no médio prazo.