Hipopótamos destroem até 200 hectares por cada produtor por ano no distrito de Limpopo – O País

Depois das chuvas,os produtores do distrito de Limpopo enfrentam uma nova ameaça nas machambas.Hipopótamos e javalis invadem as áreas de cultivo e agravam as perdas das famílias camponesas. Nas últimas semanas, mais de 13 mil hectares de culturasforam devastados, elevando para mais de dois mil o número de áreas perdidas, com perdas médias de cerca de 200 hectares por produtor.

Os produtores do distrito de Limpopo, em Gaza, ainda contabilizavam os prejuízos provocados pelas últimas chuvas quando uma nova ameaça tomou conta das machambas. Hipopótamos e javalis avançaram e deixaram rastos de destruição sobre extensas áreas de cultivo.
Totoe e Dlovukaze estão entre as zonas afectadas, enquanto em Languene pelo menos 300 camponeses viram as suas áreas agrícolas invadidas por animais bravios.

Segundo João Jaime, líder local no distrito de Limpopo, a presença dos animais tem-se tornado cada vez mais frequente nas zonas de produção.
“Hipopótamos e porcos-do-mato avançam sobre as culturas e deixam para trás marcas de destruição, com destaque para Totoe e Dlovukaze. Em Languene foram assolados pelo menos 300 camponeses”, explica.
A situação agravou-se depois das cheias. Adriano Bilene, líder de Languene, diz que os animais deixaram de se afastar com a presença humana, aumentando a exposição das comunidades.

“Após as cheias, a invasão de hipopótamos piorou, porque os animais já não se assustam com a presença de pessoas. Desde Manhegan, Phiko e Nguava, contabilizam-se cerca de 500 pessoas com as suas áreas agrícolas assoladas”, relata.

Até ao momento, de acordo com  director de Actividades Económicas de Limpopo, Oldimiro Chaúque, confirmam-se a destruição de cerca de 13 mil hectares de culturas diversas. Mas o fenómeno não se limita à actual campanha agrícola,
António Chirindzane, extensionista agrário no distrito de Limpopo afirma que, numa média anual, o sector agrícola perde mais de 200 hectares de culturas devido à invasão de animais bravios.

A dimensão do problema levou as autoridades obrigou à activação de equipas de fiscais de fauna bravia para acompanhar as áreas mais afectadas.
A ameaça não se limita às culturas. Há produtores que também relatam perdas de gado na sequência das chuvas. Aos 66 anos, Linda, agricultora em Limpopo, diz ter ficado sem parte dos seus bens depois da morte dos animais.

“Estou a sofrer. Aos 66 anos de idade, não tenho nada. As chuvas do dia 11 provocaram a morte do meu gado. Perdi três cabeças de gado e um cabrito”, lamenta. Depois de perder parte do gado e das culturas, a agricultora diz que a prioridade agora é voltar à machamba. Mas, para isso, precisa de sementes.
“Mas, ao receber a enxada, não posso levar milho? Aqui neste Governo, isso faz sentido? Respondam-me: cinco quilos de sementes podem semear uma área de um hectare?”, questiona Linda.

Perante o cenário, o Governo do distrito de Limpopo promete intervir na reposição de sementes e utensílios agrícolas, numa tentativa de permitir que pelo menos” 500 produtores  retomem a actividade.”
A situação, entretanto, continua a exigir resposta das autoridades. De acordo com os dados apresentados pelas autoridades locais, os efeitos combinados das chuvas e da invasão de hipopótamos já terão devastado até 25 mil hectares de culturas.
Para tentar proteger o pouco que resta, parte de um total de 30 mil produtores passaram a pernoitar nas próprias machambas, numa vigília permanente para travar o avanço dos animais e evitar novas destruições.

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