PGR aponta Nini Satar como possível mentor do assassinato de Elvino Dias

O Procurador-Geral da República (PGR), Américo Letela, quebrou, esta quinta-feira (23), o longo silêncio em torno do mediático assassinato do advogado Elvino Dias, ocorrido em outubro de 2024. Em conferência de imprensa, a PGR revelou que, para além do contexto político, a investigação explora a ligação do crime ao nome de Nini Satar.

O caso, que chocou a sociedade moçambicana e gerou uma onda de indignação após a atuação de Dias como mandatário do partido PODEMOS e de Venâncio Mondlane na contestação aos resultados das Eleições Gerais de 2024, ganha agora novos contornos.

As autoridades judiciais confirmaram que o assassinato está a ser investigado através de “linhas concorrentes”. Embora a tensão pós-eleitoral continue a ser um foco, a PGR introduziu uma pista ligada a um caso de falsificação de documentos que envolvia Edite Chilindro, então companheira de Nini Satar — figura amplamente conhecida por envolvimento em processos de alta complexidade.

Segundo o PGR, Elvino Dias era o mandatário num processo judicial contra Edite Chilindro, acusada de falsificar um atestado de óbito. O objetivo da fraude, que incluía documentos forjados de clínicas sul-africanas, era simular a morte da arguida para escapar às autoridades no âmbito de um processo de rapto.

“A vítima, infelizmente, era um dos mandatários nesse processo. Após correspondência com as autoridades sul-africanas, concluímos que os documentos eram falsos; não existia qualquer registo de óbito”, esclareceu Américo Letela.

Dois anos após o crime, a investigação apresenta avanços concretos. Segundo a PGR, existem já três suspeitos identificados, sendo que dois deles encontram-se detidos no Estabelecimento Penitenciário Preventivo de Maputo.

O processo incluiu já diligências de reconhecimento por parte de testemunhas, numa tentativa de fechar o cerco aos autores materiais e morais do homicídio. “Estamos a fazer o nosso trabalho. Queremos pedir paciência, pois a investigação é complexa”, reforçou o Procurador-Geral.

Apesar da nova linha de investigação sobre o caso que envolvia Nini Satar, a PGR assegura que não descarta a motivação política relacionada com a contestação eleitoral, mantendo o foco em todas as vertentes que possam levar ao esclarecimento definitivo de um dos crimes mais enigmáticos da história recente de Moçambique.

Imagem: DR

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