Novo mandado de detenção contra Jota Pachoneia intensifica tensão em Nampula

O activista Joaquim Jota Pachoneia, conhecido pela sua actuação na denúncia de casos de corrupção, volta a estar na mira da justiça moçambicana. Um novo mandado de captura foi emitido contra o cidadão, num contexto marcado por perseguições e incidentes armados na província de Nampula.

A situação de Jota Pachoneia, frequentemente referido como “O Resiliente”, agravou-se drasticamente após um incidente ocorrido no passado dia 22 de abril. O activista foi alvo de uma perseguição policial que culminou com disparos contra a sua viatura.
Após conseguir conduzir sob condições críticas, com um dos pneus furado, Pachoneia optou por abandonar o veículo e refugiar-se em zonas de mata para garantir a sua segurança.

Os documentos judiciais aos quais tivemos acesso indicam a emissão de um mandado de captura pelo Tribunal Judicial da Cidade de Nampula. O despacho, assinado pelo Juiz de Direito da Secção de Instrução Criminal, Frederico Ruben Pelembe, e datado de 25 de março de 2026, ordena a detenção do activista para a sua apresentação ao Juiz de Instrução Criminal (JIC) para efeitos de primeiro interrogatório judicial.

O processo, sob o registo nº 297/301/P/2026, aponta como denunciantes figuras como Melu Inácio Mesa Ulere Malhaze, Pascoal Francisco Juma, Pedro Brown Abel Chambal e Domingos Samuel.

Desde o incidente de 22 de abril, o paradeiro de Jota Pachoneia permanece incerto. Contudo, o silêncio físico não se traduziu em silêncio mediático. O activista tem utilizado as suas redes sociais — o principal canal de denúncia das suas actividades — para continuar a expor casos de alegada corrupção e manifestar o seu repúdio contra o que classifica como perseguição política e judicial.

A emissão deste mandado de detenção, somada ao recente episódio de perseguição, reacende o debate em Moçambique sobre o espaço cívico, a liberdade de expressão e a segurança dos defensores dos direitos humanos na província de Nampula. Até ao momento, as autoridades judiciais não forneceram mais detalhes sobre a execução da medida de coacção em curso.

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