Ter Filipe Nyusi na liderança dos observadores da UA descredibiliza o processo

O Director do Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD), Adriano Nuvunga, entende que a missão de observação das eleições presidenciais na Guiné-Bissau, envida pela União Africana, está desprovida de credibilidade por ser liderada pelo ex-Presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi.

“Isto é uma missão sem crédito internacional. Não compreendo como a União Africana facilite este tipo de expediente sem credibilidade” disse em uma transmissão não Facebook.

As razões, na sua óptica, se prendem ao facto de Moçambique ter assistido aos piores processos eleitorais enquanto Nyusi foi Presidente do país.

“Nyusi, enquanto líder do nosso país, as eleições moçambicanas foram as mais desorganizadas, as mais fraudulentas da nossa região, aquelas que, em vez de facilitar a participação dos moçambicanos para escolher os seus dirigentes, resultaram em chacina. [Foram] eleições e sangue” justificou.

Neste sentido, recordando os assassinatos do activista social, Anastácio Matavel (2019), do membro do partido PODEMOS, Paulo Guambe, e do advogado, Elvino Dias, à par de centenas de mortes e violações de direitos humanos em período eleitoral (2024/25), Nuvunga questiona a idoneidade de Filipe Nyusi para ser certificado com observador eleitoral, devido ao histórico. “Não percebo que tipo de lobby é este”.

“E por aquilo que aconteceu no nosso país, o nível de abusos, de violações, Filipe Nyusi não deveria estar a viajar para a Guiné-Bissau” vincando que, “se houvesse credibilidade em Moçambique, Nyusi deveria estar provavelmente em uma esquadra ou celas, a responder pelos crimes cometidos na época em que ele era Presidente da República”.

A eleições na Guiné-Bissau decorreram no domingo (23). Dozse candidatos concorreram à Presidência da República. A Comissão Nacional de Eleições local promete divulgar os resultados preliminares hoje.

Além da UA, o escrutínio contou com missões de observação eleitoral da CEDEAO, CPLP, G7 e Organização para Conferência Islâmica.

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