Afinal, o empresário moçambicano acusado por branqueamento de capitais já vivia em Portugal desde 2024

A Polícia Judiciária (PJ) de Portugal deteve um empresário moçambicano procurado pelas autoridades moçambicanas por suspeitas de lavagem de dinheiro através de um esquema de importação de mercadorias que também abrangia Portugal.

Com 51 anos de idade, o empresário Abdul Gafar Gulam entrou em Portugal com a companheira e um filho em meados de 2024, tendo fixado residência na zona de Odivelas, mas só entrou no sistema de alerta da Interpol no início deste ano.

Segundo a PJ, citada pelo jornal português “Público”, a localização do suspeito só foi possível depois de um “persistente trabalho de recolha de informação”.

“Como director de uma empresa, entre 2019 e 2023, ordenou a transferência para as Ilhas Maurício, Emirados Árabes Unidos, China, Japão e Portugal de cerca de 140 milhões de dólares americanos, supostamente para a importação de mercadorias que nunca foram realmente desalfandegadas em território nacional moçambicano. Com a ajuda de despachantes aduaneiros, falsificou documentos de desalfandegamento de mercadorias e enviou-os a bancos comerciais para justificar as transferências feitas para o estrangeiro. Parte significativa deste montante, provinha de transferências e depósitos em dinheiro por familiares do detido e que com ele colaboravam, presos pelo envolvimento em tráfico de droga e lavagem de dinheiro”, lê-se na nota da PJ.

As empresas usadas no esquema tinham como objectivo ocultar a origem dos rendimentos ilícitos. O detido poderá vir a ser condenado a uma pena de 16 anos de prisão. Ele será apresentado ao Tribunal da Relação de Lisboa para aplicação de medidas de coação.

Em Moçambique, o nome do empresário Abdul Gafar Gulam perfila na lista de 40 implicados, entre nacionais e estrangeiros, para além de 15 empresas, no âmbito da operação Stop Branqueamento de Capitais divulgado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), acusados de  exportar ilegalmente de mais de 330 milhões de dólares, cerca de 21 mil milhões de meticais.

Segundo a PGR, os arguidos são suspeitos de prática dos crimes de branqueamento de capitais, falsificação de documentos, fraude fiscal, abuso de confiança fiscal, associação criminosa e uso de documento falso.

 

(Foto DR)

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