O Presidente russo, Vladimir Putin, prometeu, esta quarta-feira, a conquista militar do que considerou os “territórios históricos russos” na Ucrânia, numa alusão às quatro regiões ucranianas anexadas por Moscovo, se a diplomacia fracassar.
“Se o adversário e os seus patrocinadores estrangeiros se recusarem a falar sobre isso, a Rússia alcançará a libertação dos seus territórios históricos pela via militar”, afirmou, citado pela agência noticiosa espanhola EFE, segundo escreve a Sic Notícias.
Desde que invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022, Moscovo declarou como anexadas as regiões ucranianas de Donetsk, Lugansk, Zaporijia e Kherson, depois de ter feito o mesmo à Crimeia em 2014.
Putin ressalvou que preferia recuperar os territórios “e eliminar as causas originais do conflito com a ajuda da diplomacia”, ao discursar perante a cúpula da defesa em Moscovo.
Putin reafirmou que se mantêm os objetivos da “operação militar especial”, a designação oficial russa para o conflito, numa altura em que decorrem negociações sobre um plano norte-americano para tentar acabar com a guerra.
A afirmação deixa pouca margem para que a Rússia venha a aceitar exigências de Kiev, como a não-cedência de território.
Moscovo vai alcançar, “sem margens para dúvidas, todos os objectivos” da operação, assegurou o comandante supremo das forças armadas da Rússia, também citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
Putin destacou que as tropas russas “libertaram” este ano mais de 300 localidades na Ucrânia. Mas peritos independentes, como o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), com sede em Washington, afirmam que as forças russas conquistaram menos de 1% do território ucraniano desde Janeiro.
Putin falou também na “alta capacidade de combate” dos soldados russos, apesar de Kiev contar “com o potencial dos países membros do maior bloco político-militar do mundo, a NATO”.
“O ano que agora termina foi uma etapa importante no cumprimento das missões da operação militar especial. O exército russo mantém a iniciativa estratégica em toda a linha da frente”, afirmou.
Alegou que as tropas russas “estão a esmagar” as unidades de elite ucranianas treinadas em centros de instrução ocidentais e equipadas com armamento estrangeiro moderno.
Ainda citado na publicação da Sic Notícias, destacou também que a Rússia continuará a alargar a faixa de segurança nas regiões ucranianas de Kharkiv, Dnipropetrovsk e Sumy.
E anunciou que o novo míssil balístico hipersónico Oreshnik entrará ao serviço das forças armadas antes do final do ano e definiu como prioridade aperfeiçoar as forças nucleares estratégicas.
“Como anteriormente, estas desempenharão um papel importante no momento de dissuadir o agressor e de manter o equilíbrio de poder no mundo”, afirmou.
O Oreshnik, de médio alcance e capaz de carregar ogivas nucleares, pode teoricamente atingir objectivos situados a milhares de quilómetros de distância, com uma margem de erro de apenas algumas dezenas de metros, segundo a EFE.