Antigo governante diz que salários no Banco de Moçambique são nova forma de roubo

O antigo governante e veterano da Luta de Libertação Nacional, Óscar Monteiro, condenou abertamente aquela que classificou como uma nova modalidade de desvio de fundos públicos no país. As declarações foram feitas ontem, 25 de Junho, à margem das celebrações do dia da Independência nacional.

O prestigiado jurista apontou directamente o dedo à gestão dos recursos financeiros públicos, afirmando que se desenvolveu uma prática nociva caracterizada pelo roubo através dos salários. Para Óscar Monteiro, o exemplo mais nítido desta situação reside na actual gestão do Banco de Moçambique, cujo relatório financeiro recente revelou o pagamento de mais de 300 milhões de meticais em remunerações e benefícios de curto prazo para os seus nove administradores.

O académico referiu que o dinheiro do Estado está a ser retirado de forma disfarçada sob a capa de remunerações e regalias. Segundo a sua leitura da realidade nacional, este tipo de procedimento não deixa de ser um crime contra os bens públicos, reforçando que a situação continua a ser roubo na mesma, especialmente por surdir num período em que o banco central registou prejuízos históricos.

Fazendo face ao actual cenário, o antigo ministro de Samora Machel defendeu que o primeiro e mais urgente desafio que o país enfrenta para inverter a situação é de natureza estritamente ética. Óscar Monteiro instou a uma reflexão profunda sobre a moralidade na administração pública e o impacto destas decisões na confiança dos cidadãos face às instituições do Estado.

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