Autoridades angolanas “executaram” mais de 300 pessoas nos últimos oito anos, indica o relatório

Um relatório da União Nacional para Independência Total de Angola, UNITA revela que nos últimos oito anos, as autoridades angolanas terão, alegadamente, orientado a execução de mais de 300 pessoas em todos o país.

No relatório, elaborado pelo maior partido da oposição, e publicado na semana finda, indica ainda que tumultos de Julho do ano passado mataram 90 pessoas, contrariando as 30 mortes reportados pelo governo angolano.

Os números constam do relatório sobre a situação dos Direitos Humanos no país compilado e apresentado esta semana pelo vice primeiro-ministro do governo Sombra da UNITA, Joaquim Nafoia.

Segundo a fonte, Luanda e a província de Malange foram os epicentros do massacre de Julho de 2025, com 46 e 20 pessoas assassinadas, respectivamente.

“Os factos de Julho de 2025, que produziram mais de 90 mortes, não surgem no vazio. E ao falar de 90 mortes a nível de todo o país, fruto da greve dos taxistas, gostaria de salientar que Luanda foi o epicentro do massacre, com 46 cidadãos assassinados”, descreveu o também de deputado da UNITA citado na publicação da RFI.

De acordo com a fonte, depois de Luanda, a província de Malanje é aquela que sofreu mais sangria. As forças de defesa e segurança abateram, a tiro, a queima-roupa, a sangue-frio, 20 cidadãos.

Joaquim Nafoia, citado como um dos relatores do documento, acrescenta que, durante a vigência do mandato do Presidente João Lourenço, cerca de 362 pessoas foram assassinadas pelas autoridades policiais.

“Os dados disponíveis e confirmados pelas equipas de investigação revelam que neste período de vigência do Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço, enquanto Comandante em Chefe das Forças Armadas Angolana, o total de vítimas mortais desta forma de violência policial ascende a 362 cidadãos”, denunciou Joaquim Nafoia.

O documento considera preocupante a forma como as autoridades policiais lidam com as manifestações, afirmando mesmo que os números sobre as mortes durante o mandato de João Lourenço podem ser superiores se se tiver em conta os casos não reportados nos relatórios.

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