Chapo, Montenegro e a novela da Guiné-Bissau: “Estamos a assistir…”

A Moçambique nada resta ou cabe senão assistir, até ao último capítulo, o desenrolar da actual situação política na Guiné-Bissau, que colocou militares no poder e deixou cair Umaro Embaló Sissoco da presidência do país.

Este é o posicionamento do Governo moçambicano, segundo o Chefe de Estado, Daniel Chapo, que falava ontem à imprensa, na cidade do Porto, em Portugal, após assinatura de 22 instrumentos de cooperação com o país europeu.

“A nossa posição, como Moçambique, é que o processo ainda está em curso. Digo isto porque houve eleições e os resultados ainda não foram divulgados, oficialmente. E, enquanto não forem divulgados, para Moçambique é aguardar até que haja a divulgação dos resultados. E, em função disso, vamos realmente tomar a posição. O que estamos a fazer neste momento é assistir o curso dos acontecimentos e aguardar a divulgação dos resultados oficiais pelos órgãos eleitorais instituídos dentro do país” disse Daniel Chapo.

A Guiné-Bissau atravessa uma instabilidade política que culminou com um Golpe de Estado, no dia 26 de Novembro. Na sequência, os militares anunciaram a destituição do Presidente da República; a suspensão do processo eleitoral, cujos resultados preliminares seriam divulgados no dia 27 de Novembro; o encerramento das instituições do Estado e das fronteiras.

Na ocasião em que Chapo se pronunciou, o Primeiro-Ministro português, Luís Montenegro, disse que Portugal tem estado em conversações com todos os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa para gerir da melhor forma a situação, evitando qualquer tipo de ingerência. Contudo, lamentou a insustentabilidade da situação em Bissau.

“A situação na Guiné-Bissau, naturalmente, é insustentável que, no âmbito da CPLP, já deixámos muito claro. É importante regularizar o funcionamento democrático e das suas instituições, que não haja prisões políticas, que o apuramento da verdade eleitoral seja feito e que o restabelecimento de uma ordem constitucional possa acontecer” disse.

O ex-Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, chefiou a Missão de Observado da União Africana às Eleições na Guiné-Bissau, e, conforme declarou, as eleições foram ordeiras. Apesar de a Comissão Nacional de Eleições na Guiné-Bissau ter avançados a impossibilidade de avançar com o processo porque a base de dados foi extraviada durante o Golpe de Estado, Nyusi disse que os resultados existem, o vencedor existe, e apelou à divulgação. Os aliados de Sissoco – que fugiu do país com a família – condenaram os pronunciamentos de Nyusi.

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