A desnutrição custa a Moçambique, perto de 62 mil milhões de meticais o que significa quase 11% do seu produto interno bruto (PIB) anual, segundo dados do relatório da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC).
O relatório, que é citado pela AIM e apresentado esta quinta-feira, pela FDC em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) na cidade de Nampula, indica que a mortalidade, associada à desnutrição crónica, reduziu a força de trabalho do país em 10%, responsável também por 18,8% das reprovações escolares por causa do défice de crescimento.
Os dados indicam ainda que em Moçambique, 45,2% das crianças que sofrem de desnutrição não estão a receber atenção adequada ao seu estado de saúde.
O relatório resulta de pesquisa feita nos distritos de Eráti, Meconta e Monapo em Junho deste ano.
O documento sobre auditoria social no sector da nutrição revela ainda que entre 2020 e 2024 a percentagem do orçamento de funcionamento distrital, efetivamente canalizada para intervenções directas de nutrição, manteve-se muito baixa, variando entre 0,04 e 0,11%, muito abaixo das recomendações de instituições internacionais como o Banco Mundial, que sugerem a alocação, mínimo anual, de 10 dólares por criança menor de cinco anos.
O mesmo estudo ressalta que Moçambique é um país jovem, com mais de 16 milhões de crianças, correspondente a 52% da população total.
Acrescenta-se que os dados revelam que 37% de crianças moçambicanas sofrem de desnutrição crónica, enquanto 4% da sua forma aguda.
No capítulo das conclusões, o documento refere-se que em Moçambique, nos últimos 22 anos, não houve avanço significativo no combate à desnutrição.
A situação de desnutrição crónica em Moçambique é mais acentuada nas províncias de Nampula e Cabo Delgado, com níveis superiores a 40%, estão Gaza e Maputo com níveis significativamente mais baixos, em torno de 20%.
O estudo foi apresentado numa sessão onde marcaram presença, governantes, membros da Assembleia Provincial, parceiros e sociedade civil.