Especialistas defendem fortalecimento do sindicalismo para combater a fragilização do jornalismo

Especialistas do sector de comunicação e académicos defenderam esta sexta-feira (15), em Maputo, a necessidade de reforçar o sindicalismo, apostar no fortalecimento da identidade corporativa e investir no rigor ético como pilares para combater a fragilização do jornalismo moçambicano.

As posições foram apresentadas no segundo e último dia da Conferência Nacional de Sustentabilidade dos Media, que arrancou ontem, em Maputo, organizado pelo Jornal Evidências e IMD, reunindo diversos actores para debater soluções estruturais para o sector.

Debruçando sobre o tema “Jornalismo e democracia: A quem interessa fragilizar o jornalismo”, o jornalista e pesquisador, o jornalista e antigo director Editorial do jornal Notícias, Rogério Sitoe, destacou a necessidade de impor uma resistência no jornalismo moçambicano não seja desviada da sua função. Para isso, segundo Rogério Sitoe, que é actualmente presidente do Conselho Superior da Comunicação Social (CSCS), “é preciso que o jornalismo moçambicano esteja organizado”.

“Mas isso só é possível com aposta num jornalismo com rigor ético e deontológico que pauta com clareza e verdade”, defendeu Sitoe, frisando que o fortalecimento da identidade corporativa e o estabelecimento de uma força sindical jornalística, são as únicas saídas para os media se livrar das amarras das várias pressões tanto políticas quanto económicas.

No seu discurso, Rogério Sitoe lembrou que “para além do poder governamental, há cada vez mais actores a interferir no trabalho jornalístico”.

“Os agentes partidários, o crime organizado e os doadores internacionais, estão entre vários actores. Não há político que esteja interessado em dar liberdade aos media.”

Por sua vez, o jornalista e pesquisador Lázaro Mabunda, destacou que o jornalismo moçambicano enfrenta, actualmente, várias pressões políticas e económicas, explicando que os políticos são quem se beneficia desses factores. “O jornalismo é fragilizado por meio da quebra do financiamento, através da publicidade, interferências governamentais e partidárias”, anuiu.

Já o académico e cientista político, Dércio Tsandzana, considerou que assiste-se, hoje em dia, a uma quebra da função do jornalismo enquanto um meio que se destina a formar e informar, apontando o Estado como quem dita “a forma como é feito o jornalismo moçambicano”.

 

(Foto DR)

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