O antigo vice-chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas criticou duramente a trajetória decrescente do investimento no sector, alertando que a fragilidade militar coloca em risco a proteção de um país rico em recursos naturais.
Num tom crítico e assertivo, o Tenente-General Bertolino Capetine, antigo vice-chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, trouxe a público aquela que considera ser uma das maiores vulnerabilidades estratégicas do país: o desinvestimento crónico no Sistema de Defesa e Segurança.
Durante a sua intervenção no “Diálogo Nacional Inclusivo”, Capetine apresentou dados alarmantes sobre o Orçamento do Estado destinado à Defesa (PESOE). Os números revelam uma tendência de queda acentuada que, segundo o oficial, compromete a capacidade de resposta operacional das forças no terreno.
O declínio dos números
De acordo com os dados expostos, após um pico de investimento em 2024, onde a Defesa representava 6,3% do orçamento (cerca de 31.740 milhões de meticais), as projeções para os anos seguintes mostram um cenário de “emagrecimento” financeiro:
• 2025: Queda para 4,3% (21.832,3 milhões);
• 2026: Nova redução prevista para 20.420 milhões, com uma percentagem ainda por definir, mas claramente descendente.
Recursos ricos, defesa pobre
Para o Tenente-General, existe um paradoxo perigoso na gestão estatal. Capetine sublinhou que um país com a riqueza de recursos naturais que Moçambique possui não pode permitir-se ter uma defesa fragilizada por falta de investimento em equipamento, formação e logística.
“A defesa nacional não é um custo, é um investimento na soberania,” sugerem as entrelinhas da sua exposição, que aponta para um futuro de incertezas (assinalado com pontos de interrogação nos anos de 2027 a 2029) caso a trajetória orçamental não seja invertida.
A crítica surge num momento em que o país enfrenta desafios de segurança complexos, nomeadamente no norte do território, onde a proteção de infraestruturas críticas e das populações exige uma robustez financeira que, segundo o antigo vice-chefe do Estado-Maior, não está a ser devidamente acautelada pelo executivo.
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