O ministro da Defesa admite o agravamento do terrorismo na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, e revela que os insurgentes chegam a exigir até 200 mil meticais por resgate de reféns.
Segundo Cristóvão Chume, citado pelo Jornal “O País”, os grupos terroristas têm intensificado as suas acções, numa tentativa de garantir recursos logísticos.
“A reacção imediata dos terroristas é mesmo a de tentarem também atacar algumas zonas, particularmente em Mocímboa da Praia, em busca de mantimentos, mas também de recursos, sobretudo financeiros, para continuarem a assegurar a sua logística. E, nesta intenção de assegurar a sua logística, quando conseguem, raptam cidadãos nacionais para depois pedirem resgate”, explicou Cristóvão Chume, ministro da Defesa.
Segundo o ministro, os raptos têm sido uma táctica recorrente desde o final de 2024. Cidadãos, sobretudo transportadores e passageiros que circulam sem protecção das Forças de Defesa e Segurança, são alvos preferenciais.
Questionado sobre os 300 desmobilizados que estiveram destacados em Catupa e que, após um ano de combate, foram retirados da base sem nenhum pagamento, Chume diz que aguarda um relatório detalhado das Forças Armadas para esclarecer os factos.
“Eu prefiro, em relação a este assunto, aguardar o relatório que solicitei às Forças Armadas, para podermos, com maior propriedade e objectividade, responder ao público, porque é preciso também respondermos ao público, mas, como eu disse durante a nossa alocução aqui, nas Jornadas Científicas da Universidade Pedagógica, o momento de desmobilização acontece por iniciativa do militar ou por iniciativa das Forças Armadas, quando chegam à conclusão de que este militar não reúne perfil para continuar nas Forças Armadas. Do que eu sei, grande parte dos jovens têm pedido para não voltar às Forças Armadas”, explicou.
O governante, que falava durante a jornadas científicas da Universidade Pedagógica de Maputo, acrescentou que, de acordo com a legislação vigente, militares desmobilizados não podem ser readmitidos ao serviço, excepto por convocação oficial do Ministério da Defesa, algo que não ocorreu durante o seu mandato.
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