Subiu, para 121, o número de mortos resultante da operação levada a cabo na terça-feira pelas Polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, no Brasil, contra a uma facção designada Comando Vermelho, nos complexos do Alemão e da Penha, na capital fluminense.
Moradores do Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, acharam na manhã desta quarta-feira (29/10) ao menos 72 corpos em uma área de mata. Mais de 60 corpos foram levados para a Praça São Lucas, no centro da comunidade, onde ficaram expostos para registro da imprensa e depois foram cobertos com lençóis. A ação ocorre um dia depois da operação policial mais letal da história recente do Brasil.
Os corpos, todos de homens, estavam no chão, lado a lado, à vista de moradores e jornalistas que chegavam ao local. A comunidade aguarda a retirada dos corpos pelo Instituto Médico-Legal (IML).
Até a manhã desta quarta-feira, as autoridades locais contabilizavam oficialmente entre 58 e 64 mortos – sendo quatro policiais – na operação que ocorreu no dia anterior nos complexos da Penha e do Alemão.
No entanto, o aparecimento de dezenas de corpos recolhidos e expostos pelos moradores indicou que o número poderia crescer ainda mais. E assim aconteceu: durante a tarde, o governo local finalmente confirmou pelo menos 121 mortes, cifra que supera matanças como o massacre do Carandiru de 1992.
113 pessoas estão presas.
Em conferência de imprensa, o secretário da Polícia Civil do Rio de Janeiro, frisou que esta acção foi “o maior baque” que o Comando Vermelho já teve, desde a sua fundação e que “nunca houve perda (para o grupo) tão grande de drogas, armas e lideranças”.
Reconheceu que a operação resultou em “alta letalidade”que “era previsível, mas não desejável”, e lamentou que “parte dos criminosos tenha decidido atacar o Estado”.
A operação teve como objectivo atrair os suspeitos para as áreas de mata nos arredores dos complexos da Penha e do Alemão para “minimizar o dano colateral” e evitar que os moradores fossem vítimas dos confrontos.
Victor dos Santos explicou ainda que a preparação da operação durou cerca de um ano. “O Rio de Janeiro tem quase 1/4 de sua população morando em favelas, enquanto o percentual no Brasil é de 8,1%. São nove milhões de metros quadrados de desordem na Penha e no Alemão. Uma investigação de aproximadamente um ano, que envolveu polícias do Rio e de vários estados, principalmente do Pará”, frisou.
Presente na mesma conferência de imprensa, o secretário da Polícia Militar, Marcelo de Menezes, revelou que a operação de “alto risco” contou 2.500 polícias e militares.
“Quero-me solidarizar com os policiais mortos, com as famílias, com os policiais feridos numa acção extremamente arriscada, complexa”, afirmou Menezes.
Como represália, membros do grupo criminoso brasileiro Comando Vermelho bloquearam, na terça-feira, várias e importantes vias no Rio de Janeiro, paralisando parcialmente a cidade.
O Comando Vermelho dedica-se principalmente ao tráfico de drogas e de armas, e o seu centro de operações situa-se no estado do Rio de Janeiro, onde controla algumas comunidades da cidade, embora tenha presença em grande parte do país, especialmente na região da Amazónia.
A organização nasceu na década de 1980, quando a ditadura militar concentrou nas mesmas prisões delinquentes comuns e membros de grupos de guerrilha com formação política e até militar. (Fontesː BBC/ DW)