Nampula já restaurou 50 mil plantas de mangal destruídas pelos ciclones

A província de Nampula, no norte de Moçambique, está a reforçar os esforços de recuperação das zonas de mangal devastadas por ciclones tropicais, que nos últimos anos fragilizaram a protecção natural das comunidades costeiras.

A iniciativa, liderada pela Direcção Provincial de Desenvolvimento Territorial e Ambiente de Nampula, envolve voluntários, escolas e associações locais nos distritos costeiros da província.

A directora provincial do Ambiente, Delfina Falume, explicou que o mangal é um dos recursos mais atingidos pelas intempéries e, ao mesmo tempo, um dos mais importantes para a defesa das populações. “O mangal é a nossa primeira barreira de protecção contra ciclones. Preservá-lo é garantir mais resiliência às comunidades costeiras”, afirmou.

Segundo a responsável citada pelo Jornal Rigor, já foram restauradas mais de 50 mil plantas de mangal em diferentes áreas, num trabalho que junta o sector do ambiente, o Instituto Oceanográfico de Moçambique (INOM), associações comunitárias e estudantes. Para Falume, o envolvimento da juventude é essencial porque cria consciência ambiental desde cedo.

Em Larde e Memba, distritos duramente afectados por fenómenos climáticos recentes, a prioridade tem sido devolver a cobertura vegetal às zonas onde o mangal desapareceu quase por completo. Já em Nacala-Porto e Mossuril, a intervenção concentra-se na reposição de áreas degradadas pela pressão humana, incluindo construções desordenadas e exploração de madeira.

A directora alertou ainda que, além de restaurar, é urgente travar o abate indiscriminado de mangal para produção de carvão ou construção. “Se degradarmos hoje, amanhã não teremos nada. É preciso responsabilidade de todos – Governo, comunidades e cidadãos – para que o mangal seja protegido”, advertiu.

Outro desafio é o desordenamento em algumas áreas costeiras, onde persistem construções em locais ambientalmente frágeis. Falume defendeu maior rigor nos processos de licenciamento e uma sensibilização contínua junto das comunidades, de modo a evitar que novas habitações sejam erguidas em zonas de mangal.

Apesar das dificuldades, o balanço é considerado positivo. As campanhas de restauração estão a ganhar força e já inspiram outros distritos a envolverem-se activamente. “É um esforço colectivo, que precisa de ser permanente. Só assim teremos praias mais seguras, ecossistemas equilibrados e um turismo sustentável em Nampula”, concluiu.

 

(Foto DR)

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