Disse Teodoro Waty na primeira graduação da UNAQ
Maputo Canalmoz – A Universidade Aquila graduou ontem, 28 de Maio, com o grau de Licenciatura trinta e quatro estudantes, divididos pelos seguintes cursos: i) Biomedicina Laboratorial (dois); ii) Direito (dois); iii) Enfermagem-geral (vinte e sete); iv) Farmácia (três).
No discurso de ocasião, o reitor da Universidade Aquila, Teodoro Waty, disse que o direito ao conhecimento não pode constituir-se em mercadoria tributável, colocando impostos sobre a esperança, taxas sobre o futuro e o encargo sobre a pobreza que tenta levantar-se pela escola.
“Essa tributação é no plano constitucional profundamente questionável, porque atinge o núcleo do direito à educação, da igualdade, também das oportunidades e da dignidade da pessoa humana. É no plano moral inaceitável, porque pune quem procura aprender”, disse Teodoro Waty.
Disse também que, no plano social, é injusto aumentar-se a distância entre quem pode estudar sem sacrifício e quem estuda com relutância. E é no plano universal dos direitos do cidadão uma contradição dolorosa proclamar-se um estudante como qualquer consumidor de bens ou serviços.
Teodoro Waty considera que nenhuma sociedade se engrandece punindo a escola, nenhum Estado se fortalece diminuindo a universidade, nenhum povo se liberta tratando o estudo como um luxo.
“Está à vista que, se a estrada transporta corpos, a universidade transporta destinos. A ponte liga as margens quando a universidade liga gerações. O hospital está para curar feridas, a universidade está para prevenir as feridas invisíveis da ignorância, do improviso e de tanta falta de oportunidades”, afirmou Teodoro Waty.
Qualidade universitária
O reitor da Universidade Aquila, Teodoro Waty, pronunciou-se sobre a qualidade universitária, que também deve ser afirmada com clareza. A qualidade nasce do rigor, da liberdade responsável, da avaliação séria, da ética institucional e da capacidade de cada universidade realizar a sua vocação própria.
“O Estado pode e deve fixar medidas. Biblioteca, corpo docente qualificado, plano curricular coerente, avaliação transparente, gestão responsável e respeito pelos estudantes. Devia estar claro que se não deve pretender fixar o máximo da criação intelectual, da inovação pedagógica e da liberdade académica”, disse Teodoro Waty.
E acrescentou que fixar o mínimo é dever público. Congelar o máximo é empobrecer o futuro. Uma universidade sem qualidade é uma promessa falhada. Uma sem autonomia é inteligência acorrentada. E que seja claro que nenhuma nação se torna grandiosa acorrentando a inteligência que devia libertá-la.
Não basta aplaudir o graduado no dia da cerimônia. É preciso respeitar o estudante antes da beca. Uma sociedade que celebra o diploma, mas não respeita o estudo, celebra uma elegante hipocrisia.
A família educa, a universidade orienta, o professor ensina, o estudante deve querer, o Estado regula e protege a sociedade, acompanha e exige. (Neuton Langa)