Um alegado operador de drones russo identificado como Miroslav Simonov terá atravessado a linha da frente e rendido-se voluntariamente às forças ucranianas, num caso divulgado em meados de Fevereiro de 2026 pelo projecto estatal ucraniano Khochu Zhit (também conhecido como “I Want to Live”).
De acordo com informações publicadas pelo jornal ucraniano Kyiv Post, que cita o projecto, Simonov afirma ter sido pressionado a assinar contrato com o exército russo, esperando integrar uma unidade onde o seu pai teria servido. No entanto, acabou colocado numa unidade de veículos aéreos não tripulados (VANT) e enviado para formação no chamado centro “Rubicon”, descrito como uma estrutura de treino de operadores de drones de ataque e reconhecimento.
Segundo o testemunho divulgado em vídeo pelo projecto ucraniano, Simonov participou em missões de combate após formação intensiva. No seu depoimento, alega ter testemunhado práticas internas que o levaram a questionar o seu envolvimento na guerra, incluindo alegado tratamento inadequado de prisioneiros e civis.
O caso ganhou particular destaque pelo facto de envolver um alegado operador ligado ao centro “Rubicon”, apontado por fontes ucranianas como uma das estruturas prioritárias da Rússia na área de drones militares, tecnologia que se tornou central no conflito desde a invasão em larga escala iniciada em 2022.
Ainda segundo o relato citado pelo Kyiv Post, Simonov terá abandonado temporariamente a sua unidade — situação designada na terminologia militar russa como “SOCH” (abandono não autorizado da unidade). Terá sido detido e posteriormente integrado numa brigada de assalto, referida informalmente por soldados russos como unidade “de carne”, numa alusão ao elevado número de baixas na linha da frente.
O militar afirma que já conhecia o projecto “Khochu Zhit”, criado pelas autoridades ucranianas para receber pedidos de rendição voluntária de militares russos. Aproveitando uma missão de combate, terá cruzado a linha da frente e entregue-se às forças ucranianas.
A história foi tornada pública a 15 de Fevereiro de 2026, com a publicação de um vídeo no canal oficial do projecto. O lado ucraniano sustenta que os casos de rendição voluntária têm aumentado nos últimos meses.
Até ao momento, não existe confirmação independente amplamente reconhecida sobre os detalhes do caso, nem qualquer comentário oficial do Ministério da Defesa da Rússia. A informação baseia-se essencialmente em fontes ucranianas, incluindo o projecto “Khochu Zhit” e reportagens do Kyiv Post.
Especialistas recordam que, em contexto de guerra, tanto Moscovo como Kiev recorrem intensamente a operações de comunicação estratégica, pelo que relatos deste tipo exigem verificação adicional por entidades independentes.
O paradeiro e o estatuto legal actual de Miroslav Simonov não foram oficialmente divulgados.
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