A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) ameaça entrar em greve, caso o Governo não pague o 13º salário aos funcionários públicos num prazo máximo de 15 dias.
“O Governo, se não pagar o 13.º salário na íntegra aos profissionais de saúde, as unidades sanitárias todas serão fechadas aqui, em Moçambique”, disse em conferência de imprensa o presidente da APSUSM.
Anselmo Muchave explicou que o 13.º salário é um direito legal, consagrado no ordenamento jurídico-laboral do país, “não sendo negociável, nem um favor” concedido pelo Governo aos funcionários públicos.
“Nesta senda, o não pagamento do 13.º salário terá consequências graves e imediatas na vida do profissional de saúde e, por consequência, no funcionamento das unidades sanitárias em todo o território nacional”, disse Muchave.
A fonte disse ainda que, as consequências poderão afectar os doentes, uma vez que “os hospitais, centros de saúde e demais serviços de atendimento estarão inevitavelmente em situação de caos operacional, colocando em risco a continuidade e a qualidade dos cuidados prestados à população”.
O responsável da APSUSM voltou a reclamar a falta de insumos medicamentosos e de alimentação nas unidades sanitárias, o que segundo ele, levou a mortes “mais graves que os massacres que estão a acontecer em Cabo Delgado”, província afectada por ataques terroristas desde 2017.
“O Governo não mostrou certeza, acções concretas, a não ser falácias durante todo o ano”, disse durante a conferência de imprensa realizada em Maputo.
“Tivemos unidades sanitárias que até agora têm dificuldades graves, mas o Governo, a direcção do Ministério da Saúde, não saiu a falar daquilo que está a acontecer na jornada sanitária. O nosso povo está a morrer”,acrescentou.
A APSUSM, que abrange cerca de 65 mil profissionais de saúde de diferentes departamentos, deu 15 dias para que o Governo responda à exigência. A agremiação entende que o pagamento do 13.º não se negocia.
Em Agosto passado os profissionais de saúde já haviam alertado para “deficiências alarmantes” no fornecimento de medicamentos nas unidades sanitárias e pediram a nomeação de uma nova equipa para dialogar no âmbito das conversações com o Governo para acabar com paralisações.