Os títulos do Tesouro de Moçambique apresentam, esta semana, um dos melhores desempenhos nos mercados emergentes depois que o Presidente da República, Daniel Chapo ter avançado que espera um novo programa de financiamento do Fundo Monetário Internacional (FMI) no início do próximo ano.
De acordo com uma publicação da Bloomberg, os rendimentos dos títulos no valor de 900 milhões de dólares com vencimento em 2031 caíram 24 pontos base, para 12,5%, atingindo o nível mais baixo desde 18 de Novembro. O prémio dos títulos de Moçambique em relação aos títulos do Tesouro dos EUA diminuiu para 1009 pontos base, de acordo com as cotações indicativas dos índices da JPMorgan Chase & Co nesta terça-feira (10).
A queda nos rendimentos foi provocada pelos “comentários do presidente sobre a aproximação ao FMI para obter fundos”, disse Maciej Woznica, gestor de carteiras da Coeli Frontier Markets AB.
A mesma publicação recorda ainda que numa entrevista à Bloomberg News, Daniel Chapo revelou não haver ainda detalhes sobre o montante do financiamento do FMI. “Só quando começarmos a discutir o programa propriamente dito é que saberemos os números”, afirmou Chapo.
Moçambique é um dos três países africanos, juntamente com o Senegal e o Gabão, com spreads acima de 1000 pontos base, o que é considerado um indicador de dificuldade financeira.
O País enfrenta graves desafios financeiros após a agitação pós-eleitoral que restringiu a produção económica. Contratou a empresa Alvarez & Marsal, sediada em Nova Iorque, para assessorar na reestruturação da dívida. Moçambique tinha uma dívida pública externa total de cerca de 9,8 mil milhões de dólares no final de 2024.
Chapo disse também que a TotalEnergies está a avançar com a documentação necessária para reiniciar um projeto de GNL no valor de 20 mil milhões de dólares.
O projecto de GNL ajudará a apoiar o fluxo de investimentos e a aumentar o optimismo, de acordo com Orson Gard, analista sénior da BMI, uma divisão da Fitch Solutions. Acrescentou que o financiamento do FMI também contribuiria para a estabilidade económica.
“O apoio renovado do FMI também irá sustentar a consolidação fiscal, impulsionando ainda mais o posicionamento dos investidores em relação a Moçambique”, afirmou Gard.
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