Líder da APSUSM exige “coragem” a PR para admitir colapso do Sistema Nacional de Saúde

Anselmo Muchave, presidente da associação que representa os profissionais de saúde moçambicanos, acusa o Governo de ignorar a realidade e de basear as suas decisões em “relatórios falsos”.

Em entrevista à DW, o presidente da Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM), Anselmo Muchave, lançou um apelo direto ao Presidente da República, Daniel Chapo. O dirigente sindical defende que o chefe de Estado deve ter a “coragem” de reconhecer publicamente o estado de rutura total em que se encontra o sistema de saúde do país.

Muchave afirma que existe um fosso entre o que acontece nos hospitais e o que chega ao conhecimento do Executivo. Segundo o líder da APSUSM, o Governo não escuta quem está na linha da frente e as direções das unidades sanitárias enviam relatórios que não correspondem à verdade, ocultando a gravidade da situação para proteger interesses políticos.

A denúncia de Muchave foca-se na falta de condições básicas para o exercício da medicina e para a sobrevivência dos pacientes. O dirigente aponta a escassez crónica de medicamentos essenciais e a falta de material cirúrgico para intervenções nos blocos operatórios. Além disso, sublinha que há doentes sem alimentação adequada e ambulâncias imobilizadas por falta de combustível para transferências médicas, ao mesmo tempo que se registam casos de desvios de fundos destinados ao sector.

O cenário descrito é dramático. Anselmo Muchave lamenta o número elevado de “óbitos evitáveis”, descrevendo situações em que os cidadãos percorrem centenas de quilómetros para chegar a uma unidade de saúde onde, no final, acabam por morrer devido à ausência de resposta médica.

“O Presidente precisa de ter coragem. Admitir a crise seria o primeiro passo para as mudanças urgentes que o sector exige. A saúde é uma missão nobre e não pode ser tratada desta forma”, apelou o sindicalista.

Anselmo Muchave diz estar a ser perseguido depois de acusar o Governo de ocultar a crise no sistema de saúde. A sua casa foi invadida e o guarda agredido, mas promete não recuar na luta pela verdade.

Para a APSUSM, o reconhecimento oficial do colapso sanitário é a única via para que se possam traçar novas estratégias de investimento e gestão, salvaguardando a vida dos moçambicanos.

Imagem: DR

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